Precisamos falar sobre o Adam (e o autismo)

Em 04.04.2016   Arquivado em Cinema, Psicologia

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Adam é o nome do filme, mas também é o nome do personagem, a representação de muitas pessoas que sofrem da síndrome de Asperger, ou do autismo.

Logo na primeira vez em que assisti, há uns dois anos, o filme já entrou para minha lista de queridinhos. Não tão recentemente assim ele chegou ao catálogo da Netflix e eu fiquei morrendo de vontade de rever, mas fui protelando. Até que esses dias, depois de uma palestra incrível sobre autismo que assisti na faculdade, eu decidi dar play. E então eu me lembrei o porquê de Adam – o filme e o personagem – ter me cativado tanto.

É tudo tão leve, tranquilo e aparentemente simples. Em certos momentos é engraçado, em outros é romântico e em alguns é um pouco angustiante.Consegue ser calmo e caótico ao mesmo tempo. É real. É sensível. É bonito. É delicado.

Adam é um jovem simpático, extremamente inteligente e com vontade de fazer amigos, mas tem certa dificuldade em se relacionar com as pessoas, em entender o que elas realmente querem dizer ou estão sentindo. Tudo isso porque Adam tem Asperger, hoje considerado um transtorno no espectro do autismo. Ele acaba de perder o pai e sua vida começa a complicar, porque ele percebe que não é nada fácil ter que se virar sozinho sem suas habilidades sociais. Até que um dia Adam esbarra com sua vizinha Beth, ela acaba se encantando pelo jeito dele e um relacionamento começa a se desenvolver entre os dois.

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O filme é bem sutil ao tratar do Asperger, mas nem por isso deixa de ser fiel ao transtorno. Mostra os desafios que o indivíduo precisa enfrentar todos os dias, a frustração por querer socializar, se misturar, e não conseguir. Discute as dificuldades extras que há em um relacionamento assim.

E, apesar de eu parecer suspeita para falar de Hugh Dancy (porque tô sempre elogiando o moço), eu juro a vocês que ele está realmente incrível nesse filme. Não é um papel fácil, mas Hugh mostra que sabe dar conta do trabalho (caso o contrário o seu Will, de Hannibal, não teria feito tanto sucesso). Ele está maravilhoso! E me deixa ainda com mais vontade de colocá-lo num potinho e cuidar e admirar para sempre.

É perfeitamente possível enxergar a diferença entre a vida de um Asperger e de um neuro típico, mas, se você olhar bem, o filme vai além disso. Ao mostrar o autismo na idade adulta e a importância do afeto, o longa consegue nos provar que todo mundo é capaz de viver uma vida normal, na medida do possível.

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Eu sou completamente apaixonada pela forma com que a história é contada, numa espécie de inocência, como se estivéssemos vendo pelos olhos de Adam. É um dos filmes mais lindos que já vi na vida, que me toca profundamente em todas as vezes em que assisto.

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Ficha Técnica
Título Original: Adam | Ano: 2009
Direção: Max Mayer
Duração: 99 minutos