Eu mesma, uma Gilmore Girl

Em 08.09.2016   Arquivado em Pessoal, Séries

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Confesso que quando comecei a assistir Gilmore Girls não esperava muita coisa além de uma série levinha para passar o tempo. Aparentemente a trama é meio boba, mas quem vê de longe nem imagina a sua profundidade e o que as garotas Gilmore conseguem fazer com você.

A verdade é que Gilmore Girls é uma série sobre família. Sobre aquilo que se considera família. Sobre a família que é sangue do seu sangue e também sobre a família que a gente acaba escolhendo para si. E, de alguma forma incrível, faz você refletir sobre sua família, aquela que é sua e que tá lá no seu sobrenome e sobre aquela que você gostaria que fosse, ou que deseja, um dia, construir. Bem, pelo menos comigo foi assim.

Muitas foram as vezes em que me identifiquei com Rory Gilmore, embora do meio para o fim eu tenha percebido que sempre fui mais como a Lorelai. Ou talvez me doa admitir que nem tenho tanto da Lorelai assim, de modo que ela está mais próxima  da pessoa que eu gostaria de ser um dia. Mais precisamente da mãe que eu gostaria de ser.

Eu estava numa discussão calorosa nessa madrugada – e já aconteceu outras vezes também – sobre como Lorelai Gilmore é, talvez, a personagem mais bem construída da série. Corajosa, batalhadora, sempre bem humorada e querida por todos. Mas com uma bagagem emocional muito grande, uma necessidade de nunca estar só, principalmente com a filha (que também é sua melhor amiga) crescendo tão rápido e prestes a sair de casa e trilhar seus próprios passos. Lorelai engravidou aos 16 anos e saiu de casa por vontade própria para criar sua filha sozinha numa cidade nova, em que ela pudesse começar do zero, amadurecer e buscar pelos seus sonhos. Ela conservou uma amizade linda com o ex – e pai de sua filha -, mesmo com todos os altos e baixos e conquistou o carinho e admiração de uma cidade inteira. No entanto não consegue se reaproximar dos seus pais, por acreditar ser uma pessoa totalmente diferente deles, que não se encaixa ou não concorda com seus costumes e a criação que recebeu, em meio a tanto luxo e controle.

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A série vem então mostrar não só para nós, mas também para a Lorelai, que nunca é tarde para retomar e fortalecer laços. Que algumas coisas que começam como um grande sacrifício podem se tornar um prazer. A maneira como os vínculos entre a família Gilmore são restabelecidos nos faz acreditar na verdadeira ideia de família. E é impossível não identificar a nossa própria entre uma cena e outra, ou em alguma fala da Emily.

Alguns homens passam pela vida de Lorelai e Rory, se encaixando bem ou não na relação das duas. Mas é o casamento duradouro e que sobrevive a crises de Richard e Emily que, no fundo, é responsável pela ideia de amor e estabilidade das Gilmore mais novas. E, sejamos sinceros, pela nossa também.

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Sete temporadas depois – ou talvez já bem antes disso – eu me sinto completamente uma garota Gilmore. Meio Rory, meio Lorelai, meio Emily. E não só porque me identifico com uma ou outra, mas porque as três, de alguma forma, mesmo em suas piores fases, me inspiraram. Como mulheres e também como mãe e como filha. Eu escolhi amar cada uma delas.

Quando eu crescer – e aqui eu pego emprestadas as palavras da Lane – eu quero ser a Lorelai de alguém.

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“Minha mãe nunca me deu qualquer ideia de que eu não poderia fazer ou ser o que eu quisesse. Ao me guiar nesses incríveis 18 anos, eu não sei se ela chegou a perceber que a pessoa que eu mais queria ser era ela. Obrigado Mãe, você é meu exemplo para tudo.”

Gilmore Gilrs tem sete temporadas, com 22 episódios de aproximadamente 40 minutos, e está disponível na Netflix. Em novembro haverá um revival, com o elenco e roteirista originais, para matar as saudades e descobrir o real final de cada personagem.