Tale as old as time (ou textão do amô sobre o live-action de BATB)

Em 17.03.2017   Arquivado em Cinema

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Beauty and the Beast é meu filme de infância preferido, assim como a Bela é minha princesa preferida. E tem sido assim desde os meus seis anos, mais ou menos. Basicamente eu cresci rebobinando a fita de A Bela e a Fera e cantando as músicas quase que diariamente. E talvez tenha sido esse filme o responsável pelo meu gosto por leitura e o sonho de uma biblioteca particular. Os anos passaram, e eu continuei assistindo ao filme da minha infância, só que intercalando entre dublado e legendado, até eu estar fluente nas músicas nas duas línguas (ou três, porque não esquecemos do francês presente nas letras).

Na primeira notícia de um live-action eu literalmente surtei. E durante todo o processo de pré-produção e produção eu torci o nariz para algumas coisas e comemorei outras, até que o dia de assistir meu filminho nos cinemas finalmente chegou. E, sinceramente? Tá lindo.

É realmente um conto antigo como o tempo, um clássico e a Disney e toda a produção souberam respeitar bem isso. Mudar clássicos, recriar, reinventar, contar de outro ponto de vista é sempre uma tarefa arriscada e, dessa vez, assim como foi com Cinderela, eles souberam preservar o que a história tinha de melhor e mais bonito. Eu dava gritinhos histéricos a cada fala icônica da animação dita no live-action. Os cenários estão idênticos, o figurino também e até mesmo o número de Be Our Guest que tinha tudo para ser bem bizarro com pratos e xícaras animados voando sob nossas cabeças ficou impecavelmente igual.

E ao mesmo tempo em que a história segue o mesmo roteiro, nos mesmo cenários, algumas coisas ficaram diferentes. E, ao meu ver, todos os acréscimos e as (pequenas) modificações foram muito bem-vindas à trama. No live-action descobrimos o que aconteceu com a mãe da Bela, algo que realmente não é nem citado na animação, em uma cena linda, através da música inédita Days In The Sun, graças a um presente deixado pela feiticeira no castelo. Também ouvimos brevemente sobre o passado do príncipe Adam antes mesmo dele se transformar na Fera, quando se transformou no homem frio e arrogante que a feiticeira encontrou no castelo. E isso, pra mim, foi bem importante, porque desaparece com a ideia de que a Bela realmente transformou radicalmente a Fera, porque a gente sabe que isso é praticamente impossível de acontecer. Gaston, nesse filme, perde todo e qualquer indício de romantização que a animação possa ter deixado, o live-action mostra o quanto o personagem consegue ser machista, violento e abusivo, sendo tóxico em todo relacionamento que ele pensa em ter, seja com a Bela como também com LeFou.

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E o que dizer de LeFou que é, provavelmente, o melhor personagem desse novo Beauty and the Beast? Um personagem divertido e sensível, que se encontra frequentemente dividido entre fazer o certo ou apoiar aquele que ele considera como amigo e ídolo. LeFou tenta ser o grilo falante de Gaston, mesmo quando é completamente ignorado. Além de tudo, é um personagem extremamente importante, que dá voz a representatividade no filme, sendo o primeiro personagem lgbt assumido da Disney (mesmo que existam controvérsias sobre ele ser, de fato, o primeiro). E essa construção do personagem é feita de forma natural e sutil, chega da uma coisinha boa no coração.

Aproveitando o gancho da representatividade, foi bem legal ver que o dono da biblioteca que faz Bela viajar por tantos lugares através dos livros que ela tanto ama, alguém culto, respeitável e um verdadeiro exemplo a ser seguido por todos, é negro. Parece um detalhe bobo, mas é extremamente importante.

Além de Days In The Sun, o filme ainda conta com mais duas músicas inéditas, sendo How Does a Moment Last Forever da maravilhosa Celine Dion que não podia deixar de marcar presença e Evermore que é minha música xodó dessa edição. Todas estão incríveis e eu já aposto em uma indicação ao Oscar de Canção Original.

Agora acho que já podemos passar para o tópico elenco, né? E que elenco, meus amigos. Ainda não consigo acreditar que fui abençoada dessa maneira. A Disney achou que eu iria sair viva depois de Dan Stevens, Ewan McGregor e Luke Evans cantando no mesmo filme (que aliás é o da minha princesa preferida). E por falar em Luke Evans, vocês acreditam que esse homem é o dono do filme?? É para aplaudir de pé. Uma atuação impecável, com excelentes expressões faciais, uma voz de tirar o fôlego e, junto com Josh Gad (te amo LeFou, te amo Josh), responsável pela melhor cena do filme.

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E chegou a hora de polemizar. Vou jogar aqui e sair correndo. Emma Watson não me convenceu como Bela em momento algum. A começar que a moça não tem voz para esse tipo de papel, de modo que o autotune ficou exagerado, e me deixou com um pouco de vergonha alheia em Days in The Sun. Emma visualmente falando é a própria Bela e tem todo o perfil da personagem, mas não conseguiu me passar emoção nem mesmo quando implora para que a Fera volte.

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Dan, por outro lado, consegue ser a Fera e a Bel(ez)a ao mesmo tempo. Dá para ver cada expressão do ator por trás de toda a roupa e computação da Fera, a voz grossa de quem nasceu para impactar toda vez que abre a boca, e nem estou falando de quando canta.

E aqui se encerram as opiniões (pelo menos por enquanto) dessa moça que já assistiu ao filme duas vezes em menos de 24 horas da estreia e ainda não conseguiu parar de ouvir a soundtrack completa. Tudo que falei aqui diz respeito a edição legendada, mas pretendo ver dublado na próxima semana e finalmente cantar as músicas em português como eu fazia aos seis anos em frente ao vídeo k7.

  • Nina Spim

    Em 17.03.2017

    Oi, Ceci!

    Eu não tô com vontade alguma de assistir a esse filme. Primeiro, porque eu nunca gostei de contos de fadas. Eu sei que as meninas leitoras sempre dizem que amam a Bela, porque ela as representava quando crianças, mas eu nunca dei bola pra Disney – exceto por 101 Dálmatas (desde criança eu já sou aversa a pessoas, pois é hahaha). E segundo, porque em momento algum a Emma me convenceu (acompanhei os trailers, mas… Sabe? Não senti nada). E quanto ao LeFoy, li um texto no Medium esses dias que diz que ele é tão gay quanto um gay no armário, ou seja, não existe nada de muito representativo, e mais: há muita estereotipação (o que significa que eu já odeio o modo como fingiram representatividade no filme).

    É isso haha. Mas tudo bem você ter gostado, eu sei que muita gente gostou. Só acho que não um filme para mim.

    Love, Nina.

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  • Cecília Maria

    Cecília Maria

    A Emma não me convenceu em momento algum e a voz dela anda é longe de ser boa hahaha Eu amo a Disney, isso é fato. E amo a Bela. Mas também amo os 101 dálmatas então tudo certo hahaha Eu li esse texto sobre o LeFou também, e sim, está um pouco estereotipado mas eu gostei da forma como fizeram ele acordar pra amizade abusiva que ele tava vivendo com o Gaston e sobre a sexulidade dele. Acho que na verdade ficou mais coisa subentendida do que explícita mas já considero um avanço.
    Mas entendo perfeitamente seu ponto.
    Beijão, linda.

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