[Resenha] Fangirl

Em 24.04.2015   Arquivado em Book Club, Livros

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Rainbow Rowell é uma das três autoras que provavelmente vão me levar à falência. Desde que li Eleanor & Park que fiquei louca para ler tudo que essa mulher escreve. Fangirl foi uma experiência ainda melhor que o livro anterior.

Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme.
Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto.

A escrita de Rainbow é muito, muito leve e por mais que tente, nunca conseguirá ser cansativa. A temática do livro também colabora para uma leitura rápida e descontraída. Todo bom fã entende a necessidade que Cath vê em prolongar a história, dar novos rumos, imaginar o que acontece depois que chegamos ao fim. Só isso já seria o bastante para que eu me identificasse com o livro. Mas a verdade é que eu me vi na protagonista de uma forma que há muito não acontecia. Nem consigo lembrar qual foi a última vez que me identifiquei tanto com uma personagem.

“Eu tenho medo de tudo. E sou maluca. Tipo, talvez você ache que eu sou um pouco maluca, mas eu só deixo as pessoas verem a ponta do meu iceberg de maluquice. Por baixo dessa aparência de um pouco maluca e levemente retardada socialmente, eu sou um completo desastre.”

“Ela era do tipo de garota que se imaginava passando a noite presa numa biblioteca”

Fangirl traz, sem dúvida, um grupo de personagens completamente diferentes entre si, mas que completam de uma maneira inimaginável. Cath é a menina tímida, que adora ficar trancada no quarto lendo e escrevendo fanfics, totalmente o oposto da irmã gêmea que vive frequentando festas e ficando bêbada. A colega de quarto, Reagan, também não faz o tipo de pessoa parecida com Cath. Ela é sincera, descolada, desinibida, bem do tipo “tô nem aí” e Nick, o seu colega da biblioteca, com quem Cath escreve todas as noites, acaba se mostrando um grande babaca. E tem Levi, o incrível e irresistível Levi. Como não se apaixonar por ele? Sem falar do pai das meninas, um homem que acaba se viciando em trabalho para esquecer dos problemas e fugir da solidão.

E em meio a livros de ficção,faculdade,  festas, namoro e colegas de quarto, também encontramos dramas familiares, perdas, dores e dificuldades. Fangirl não é um livro sobre fandoms, é um livro sobre mudanças, amadurecimento e relacionamentos. Cath ver sua relação com a irmã mudar quando saem de casa e não sabe direito como agir quando sua vida muda radicalmente simplesmente porque ela está crescendo. Cath tem uma relação linda com o pai e é difícil deixá-lo sozinho em casa. Principalmente quando a mãe os abandonou dizendo que não sabia como ser uma mãe. É difícil aceitar que a irmã comece a ter uma boa relação com a mãe de uma hora para outra.

E se alguma coisa realmente deixou a desejar nesse livro foi exatamente a questão da mãe. Ela é citada várias vezes e quando aparece simplesmente vai embora novamente. Senti falta de um aprofundamento na relação de Laura com o ex-marido e as filhas, principalmente com Cath. Ficou jogado, de uma forma aparentemente desnecessária. Achei que a personagem foi mal aproveitada, penso que se fosse para ser jogada de escanteio, era melhor ter ficado de fora.

No mais, Fangirl é mais um trabalho maravilhoso de Rainbow Rowell e que vale muito a pena ser lido, relido, sentido e discutido.

 

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