Resenha: Extraordinário

Em 25.04.2014   Arquivado em Livros

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Sinopse: August Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mas ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.”

Depois de ler várias resenhas positivas e receber muitas indicações comprei o livro na primeira oportunidade que tive. Cheia de expectativas, fui com muita sede ao pote e acabei me decepcionando, não com a história em si, mas com a maneira com que ela foi contada ao longo do livro.

Não vi ninguém criticando Extraordinário,  mas optei por colocar a cara à tapa e deixar clara a minha opinião. Ao abrir me deparei com capítulos extremamente curtos e uma fonte maior do que o normal, mas ok, comecei a ler antes de tirar qualquer conclusão precipitada. E a medida que ia lendo, mais ia tendo a impressão de que se tratava de uma literatura infantil. Vou confessar para vocês: achei meio bobo. Tem uma temática muito interessante e que merece ser discutida cada vez mais, principalmente no mundo atual, mas a escrita do livro, o formato, não me agradou. Pelo tamanho da obra, normalmente eu leria em um dia ou dois, mas a verdade é que a leitura foi se arrastando de uma maneira nada agradável durante quase três semanas.

A narração feita por uma criança de dez anos, o próprio August, já no início me desmotivou, era uma leitura simples demais, sem toda a riqueza de detalhes e vocabulário com a qual estava acostumada. Quando cheguei na parte cinco, narrada por Justin, cunhado de August, senti uma vontade enorme de pular para a seis ou até mesmo para a última. Como filha de uma professora de português e extremamente chata quando se trata de normas de escrita, eu simplesmente não consegui ignorar a completa ausência de letras maiúsculas e pontuação adequada. A partir da parte seis, comecei a me envolver mais com a leitura e então concluí o livro bem rápido, acho que foi quando as coisas finalmente começaram a acontecer e o livro deixou de ser apenas um relato de um menino doente e seus amigos e passou a ter uma história de verdade, e uma história muito tocante e singular.

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo”

Não vou negar que a ideia de colocar diferentes pontos de vista foi bem inteligente e entendo que é de fundamental importância para a compreensão do enredo. Repito que a temática do bullying foi uma excelente escolha, tem citações e passagens lindas e reflexivas e assumo que a história é de fato muito bonita. Mas não consegui amar o livro, apenas achei que tem uma mensagem bacana. É o tipo de leitura que eu faria para meus filhos, para alertá-los das dificuldades da escola, ajudar a perceber as verdadeiras amizades e, principalmente, para mostrar que o que tem por dentro sempre é mais importante do que nossos olhos conseguem ver.