Rent no Brasil: contando (e cantando) em amor

Em 06.04.2017   Arquivado em Teatro

No último post eu falei sobre as experiências incríveis que eu vivi em São Paulo no mês passado e prometi falar um pouquinho sobre os musicais que tive o prazer de assistir por lá. Pois bem, precisamos falar de Rent no Brasil.

Rent foi um dos musicais que vi mais recente, o original, digo. Na verdade estou me referindo ao filme de 2005. Eu assisti em setembro do ano passado e a trama, as músicas, as personagens, o musical como um todo, me conquistou de imediato. É a história de um grupo de amigos que vivem em Nova York, em meados dos anos 80, tentando sobreviver das artes, dos sonhos e dos amores, sem dinheiro para pagar o aluguel e tendo que lutar contra o preconceito, o desemprego e a aids. Mas, apesar de todas as dificuldades, o musical decide contar a história em amor, de um ponto de vista menos dolorido, de um grupo que enfrenta juntos, com um sorriso no rosto sempre que possível, os desafios que a vida coloca pra eles.

Eu acredito que Rent seja um musical acessível, no sentido de que é fácil de agradar e envolver até aqueles que não curtem o gênero. Não é cansativo e a maioria das músicas poderia estar tocando na rádio, principalmente porque tem uma rock vibe super agradável. Além de que os personagens são gente como a gente, e é fácil se identificar com eles, porque são extremamente diversos e, ao mesmo tempo, únicos.

A montagem mais recente, e que eu tive o prazer de conferir de pertinho – bem de pertinho mesmo, na primeira fileira – capturou toda a essência da trama e conta com traduções no geral bem bacanas e bem feitas, com algumas versões até mais envolventes que as originais, eu me atrevo a dizer (Glória [One Song Glory], eu estou falando de você). O cenário é um tanto reduzido, até mesmo por conta do tamanho do espaço, mas que só contribuiu para trazer a atmosfera de Nova York e, por que não, de São Paulo: ocupada, com barracas e moradores de rua que lutam para sobreviver na cidade grande. E não é essa a verdadeira essência de Rent?

Mas o que me conquistou por completo em Rent no Brasil foi o elenco. Quem me conhece e me acompanha nas redes sociais sabe que eu não consigo parar de falar deles desde o dia em que assisti ao espetáculo. O cast de Rent no Brasil nada mais é do que um grupo de amigos que decidiu tirar a ideia do papel e fazer acontecer. Assim, algo bem intimista e independente, como eu tenho feito desde pequena nas minhas peças na casa dos meus avós ou como agora no filme que estamos produzindo no cursinho de cinema. E o mais bonito é ver esse sentimento, de amizade, de vontade e de coragem sendo externalizado em cada pedacinho do espetáculo. Seja no início, quando todos os personagens surgem da plateia, ou cada vez que eles se reúnem no apartamento e compartilham alegrias e tristezas, ou no final do show, quando cada um dos atores, sem exceção, recebe o público com um sorriso no rosto e um bom papo. Rent no Brasil é um musical feito por amigos para outros amigos e é lindo.

Bruno Narchi trouxe não só Rent para os palcos brasileiros nessa montagem, como também nos trouxe um Mark bem mais interessante e ativo do que o original. Assim como o Roger de Thiago Machado, que é irônico e divertido nas horas certas, sabendo dosar bem a melancolia do personagem. Diego Montez faz juz ao nome de seu personagem e Angel acaba por contagiar a todos com sua simpatia e energia. Max Gracio leva todo mundo às lágrimas com o solo de Collins e a Joanne de Priscila Borges não deixa a desejar em momento algum, que vozerão, assim como a Maureen de Thuany. Todos os que eu tive o prazer de conversar na saída do teatro – Bruno, Thiago, Diego, Corina e Priscila – foram extremamente receptivos e atenciosos e eu sou muito grata por cada minutinho que eles cederam a nós.

E é por isso que eu morro de saudade todos os dias – mais especificamente às terças e quartas quando acompanho as noticias do show no instagram -, e digo com toda a convicção do mundo que valeu muito a pena ter saído do Piauí só para ver tudo isso de pertinho. A boa notícia é que quem ainda não viu tem como ver, porque o espetáculo se estendeu por mais dois meses e agora fica em cartaz até o dia 31 de maio, às 21h de terça e quarta no Teatro Frei Caneca. Da tempo até quem não é de São Paulo comprar as passagens e conferir de pertinho. Queria eu poder ir de novo e de novo e mais uma vez.