Buenos Aires | Teatro Colón

Em 03.11.2016   Arquivado em Buenos Aires, Viagens

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Finalmente cumprindo a promessa de fazer um apanhado sobre os lugares que visitei em Buenos Aires. Antes de tudo preciso dizer que quebrei minha cara bonito, porque sempre tive muito preconceito com a Argentina. Grande parte disso se deve a língua espanhola, que eu realmente odeio. Mas Buenos Aires é incrível, e mesmo com o clima louco do mês de outubro, que incluía chuva, frio e calor, tudo no mesmo dia (!!!), foi uma delícia de conhecer e já estou aqui planejando voltar.

O Teatro Colón foi o primeiro ponto turístico que visitamos e um dos meus favoritos, porque eu sou completamente apaixonada por teatro. A arquitetura do prédio também contou pontos positivos, porque é linda demais. A guia teve a preocupação de falar bem devagar quando soube que éramos brasileiros e eu consegui captar algumas informações, como por exemplo o fato do Teatro ter demorado 18 anos para ser construído, tendo passado pela construção três arquitetos diferentes. A ideia era transformar Buenos Aires na Paris da América Latina, então foram trazidos materiais e ideias de toda a  Europa, sendo a única coisa da Argentina os lustres do segundo andar.

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A construção toda foi financiada pela elite da cidade que sentia necessidade de um espaço onde pudessem mais expor seus figurinos e dinheiro do que desfrutar da arte. De todo modo, todas as pessoas, de todas as classes podiam frequentar o teatro e assistir às apresentações de ópera, a diferença estava nos setores e, claro, no preço destes.

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A ideia de uma “sala dourada”, onde as pessoas podiam socializar e descansar durante os intervalos das apresentações também veio dos grandes palácios europeus, e, de fato, me lembrou muito os corredores do Kensington Palace, em Londres. Obviamente que esse espaço era restrito apenas para a elite. Atualmente, a sala pode ser utilizada por todos.

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A visita nos dá acesso aos camarotes, de modo que pudemos sentar nas confortáveis cadeiras e se sentir como em O Fantasma da Ópera, cantando can it be can it be Christiiine e aproveitando a maravilhosa e completa vistaComo haviam pessoas no palco montando o cenário para uma peça, pudemos comprovar a acústica perfeita que a guia tanto falava. Não há necessidade de microfones, porque a arquitetura do lugar permite que o som chegue perfeito aos ouvidos do público, em qualquer lugar que estejam sentados * e aí entra algum comentários sobre propagação de ondas que o meu irmão, pré vestibulando, falou *

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Um domingo por mês, o Teatro abre apresentações ao público, totalmente de graça. Infelizmente, não coincidiu com o período da nossa estadia na cidade. Mas quem tiver a oportunidade de visitar o lugar, eu sugiro que entre no site antes e veja o calendário de apresentações, porque deve, com certeza, ser uma experiência incrível.

Saí do Teatro Colón literalmente pulando, de tão encantada e renovada com a visita. É um deleite para os olhos, uma aula de História e de Arte e um passeio surreal para os amantes de teatro. As visitas guiadas ocorrem de segunda a sexta, inclusive feriados, das 9 às 17h, e custa aproximadamente 40 reais.

Marcéu azul

Em 23.10.2016   Arquivado em Textos

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Estou sentado no escritório da casa de praia. Comprei persianas. Muitas. Quem imaginaria que as janelas de vidro que eu tanto fiz questão de colocar aqui iam se tornar um incômodo. A imensidão do mar se estende por todo o campo de visão e, ironicamente, me sufoca.

Olhar para o mar dói. Porque o mar sempre me lembrou você. Tem a mesma cor dos seus olhos, e a calmaria que, quando menos se espera, se transforma em bravura, a maré me invadindo completamente.

Azul. Profundo. Intenso.

E de repente não é mais o mar que me encara, mas você. O azul dos seus olhos ficando mais escuro, mais cheio de força, de raiva. Querendo transbordar, mas você não deixa escapar nada pelas beiradas. A lembrança me atinge como uma onda surpresa.

Não consigo distinguir o que é o azul do mar e o que é o azul do céu, porque em algum ponto eles se tornam um só e isso é tão injusto, porque agora não consigo mais encarar o céu também. Não há mais azul pra mim. Nenhum tom dele.

Passei a trabalhar de portas e janelas fechadas, para ver se a dor diminuía. Não funcionou. A página continuou em branco. Pior do que qualquer bloqueio que já tive em trinta anos. Mas então hoje eu deixei tudo aberto. Deixei o sol entrar e refletir o azul do marcéu. E quase funcionou, no entanto, não refletiu o azul dos seus olhos.

Fecho as persianas de novo. Não há brecha para luz do sol. Não há mais mar ou céu. Ou marcéu. Ou você. Continua sufocante, com persianas abertas ou fechadas. Olho ao redor e percebo que falta um pouco de cor nessa casa, de luz para fazê-la refletir em todos os cômodos. Ou talvez esteja faltando cor na minha vida por inteiro.

O celular toca pela quinta vez, me lembrando de que a meta para hoje é de 400 palavras. Mas a página do livro continua em branco, e tudo que eu consegui preencher foram as linhas dessa carta que você sequer irá receber, porque o azul dos seus olhos agora me parece distante demais.

Já é noite quando consigo encarar o oceano a minha frente. A imensidão azul desapareceu. No escuro, em frente ao mar eu me sinto estranho. Sem cor.

 

Esse texto faz parte do Pena & Tinta, um projeto de escrita criativa que tem como objetivo a criação de textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc…) em cima de temas predeterminados mensalmente. O tema de outubro escolhido por mim foi CORES.

Tem um blog e quer participar das próximas edições do Pena & Tinta? A gente está te esperando aqui: bit.ly/2dEXQEF

Buenos Aires em fotos

Em 20.10.2016   Arquivado em Viagens

Essa semana foi feriado estadual aqui e eu e meus pais decidimos aproveitar a data para finalmente conhecer Buenos Aires. Prometo fazer uma série de posts detalhados sobre a viagem e lugares que visitei e recomendo, mas até lá vou deixar vocês com algumas fotinhas dessa cidade cheia de parques e que tem uma arquitetura linda.

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