Livros | Suicidas

Em 30.09.2016   Arquivado em Book Club, Livros

suicidas

Suicidas foi o primeiro livro que li no ano de 2016, e veio lá do Rio de Janeiro, diretamente das mãos da Carol pra mim pelo projeto Trouxa Viajante. E veio muito bem a calhar nos temas do Book Club desse mês, um livro nacional e ainda uma postagem sobre o Setembro Amarelo. 

Eu não conhecia o trabalho de Raphael Montes. Para ser justa, além dos clássicos obrigatórios lidos na escola, eu não conheço muito autores brasileiros. Mas o romance de estreia do carioca foi uma surpresa bem agradável. Eu gostei da temática e acho que ele soube aprofundar cada um dos personagens de forma fundamental para o desenvolvimento da trama.

Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – aparentemente sem problemas – a participar de uma roleta russa? Um ano depois do trágico evento, que chocou uma cidade inteira, uma nova pista é revelada e as investigações voltam a todo vapor. Por meio da leitura das anotações feitas por um dos suicidas durante o fatídico episódio, as mães são submersas no turbilhão de momentos que culminaram na morte de seus filhos.

Suicidas é aquele tipo de livro que confunde sua cabeça e você não sabe em quem confiar, em quem está dizendo a verdade ou mentindo. Os personagens, a medida que vão sendo construídos vão, ao mesmo tempo, sendo desconstruídos, o que nos aproxima cada vez mais de seus motivos para estarem ali.

O livro é narrado em três formatos diferentes, em capítulos que se intercalam entre a narração “normal” em primeira pessoa, trechos do diário de um dos personagens e os registros de áudio da reunião das mães com a polícia. Isso contribuiu para a dúvida ser plantada na cabeça do leitor e, ao meu ver, enriqueceu a trama.

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Conhecer os personagens nos leva a entender seus possíveis motivos, todos eles relacionados de alguma forma. E isso é muito importante para nos fazer perceber que ninguém está livre de problema nenhuma, de nenhuma doença ou tipo de preconceito, ou medo ou necessidade. Nem mesmo adolescentes da elite carioca. O livro conversa sobre a morte, sobre como ela pode ser inesperada e interromper planos. E também fala do suicídio. Seria ele uma forma de “roubar o controle” das mãos de Deus ou do destino? Uma maneira de não ter seus planos interrompidos antes da hora? Um alívio? Raphael Montes nos levou para dentro da cabeça de nove jovens, aparentemente suicidas. E é interessante observar que cada um deles tinha pensamentos e expectativas diferentes em relação ao que estavam prestes a fazer.

Suicidas, até certo ponto, cai no clichê, tem uma escrita, em raros momentos, um tanto quanto amadora, mas realmente surpreende e agrada, principalmente para um livro de estreia. Ainda tenho opiniões não resolvidas quanto ao final do livro, não consigo dizer até que ponto ele pode ou não ter sido previsível ou decepcionante ou um pouco fantasioso demais. Mas eu acho que gostei. Eu realmente gostei do meu contato com Rapahel Montes e seus personagens.

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