Livros | Por Lugares Incríveis

Em 26.02.2016   Arquivado em Book Club, Livros

por lugares incriveis

Quando Theodore Ficnh conhece Violet Markey em circunstâncias nada usuais, surge uma amizade única entre os dois. Cada um com seus próprios traumas e sofrimentos, eles se juntam para fazer um trabalho de geografia e acabam descobrindo muito mais do que lugares incríveis no estado onde moram: a vontade de salvar um ao outro e continuar vivendo. 

Sempre li e ouvi maravilhas sobre Por Lugares Incríveis, mas nada se compara a experiência de ler (e sentir) o livro. Não são os lugares que Theodore e Violet visitam que são incríveis, são eles dois, é a trama em si, que torna tudo incrível.

No início Theodore Fich me irritou profundamente. Aquele tipo de pessoa sem noção, sem tato, sem o mínimo de sensibilidade necessária para saber reconhecer a hora certa de falar, perguntar ou calar. Mas não demora muito para ele se mostrar um personagem intenso e maravilhoso. A verdade é que Theo sofre de um transtorno de personalidade e tenta lidar com isso da maneira que acha melhor: assumindo um comportamento e um figurino que representa cada fase em que ele se encontra.  Violet é um amor de menina, doce, tímida, que você tem vontade de guardar num potinho e cuidar para sempre. Os dois formam uma combinação perfeita, apesar de aparentar serem totalmente opostos, eles se completam e são exatamente o que o outro precisa.

O romance no livro é delicado, não sendo o plot principal da trama, mas que assume um papel importante ao longo da história; é uma espécie de bônus.

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O livro é narrado pelos pontos de vista de Theodore e Violet, geralmente em capítulos alternados. Eu gosto desse tipo de narração, porque nos permite conhecer a história de cada personagem olhada de ângulos diferentes, ao mesmo tempo que nos permite uma proximidade maior com quem está narrando. Finch enumera os dias em que se manteve acordado em cada um dos capítulos que narra, já que ele tem a mania de apagar por dias, devido a todos os seus problemas pessoais. Já nos capítulos narrados por Violet, acompanhamos a contagem regressiva até a formatura, quando ela acredita que sua vida vai de fato mudar, apesar de já ter sofrido muitas transformações antes e depois de conhecer Theodore.

“Eu gostaria de viver em um mundo criado por Theodore Finch. – E penso: por um tempo, eu vivi.”

O que os dois personagens tem em comum? Ambos estão passando por um estágio depressivo, cada um a seu modo, cada um com seus motivos, cada um com suas perdas. E é isso que torna o livro muito mais do que um romance adolescente. Os personagens são adolescentes, mas seus problemas, a temática do livro, não necessariamente é adolescente. É uma realidade de muitas pessoas no mundo todo, em qualquer idade. A forma como eles encaram a vida, como escolhem ajudar um ao outro é que torna Por Lugares Incríveis, de fato, incrível.

Recheado de passagens lindas e reflexivas, o livro é bonito sem precisar apelar. É leve, mas também emociona (e muito!)

“Conheço a vida bem o suficiente para saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmos de ir embora. Me conheço bem o suficiente para saber que ninguém consegue me manter acordado ou me impedir de dormir.”

E como se 318 páginas não fossem suficientes para tocar profundamente o leitor, ainda nos deparamos com a nota da autora, as palavras mais cheias de verdade que já li em um livro de ficção.

Um título jamais fez tanto juz ao conteúdo do livro como Por Lugares Incríveis. E eu fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de fazer essa leitura logo no segundo mês do ano, porque agora ficou mais fácil encarar a vida conhecendo o seu verdadeiro significado e de todas as pessoas e lugares incríveis que fazem parte dela.

“O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa.”

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