Livros | O Conde Enfeitiçado

Em 28.11.2015   Arquivado em destaque, Livros

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Julia Quinn é extremamente previsível em seus livros, mas a verdade é que ninguém liga. Logo na primeira página você já sabe perfeitamente como vai terminar, mas isso não lhe impede de devorar o livro o mais rápido possível, tamanha é a curiosidade de saber como o enredo vai se desenrolar até chegar ao final esperado.

O sexto livro conta a história de Francesca, a sexta filha de Lady Violet, e segue o padrão dos anteriores. Sempre com uma escrita leve e divertida.

Michael Stirling é o típico garanhão cafajeste, que coleciona conquistas amorosas e não tem nenhum interesse em se casar (igualzinho a Colin Bridgerton, eu sei). Mas como é de se esperar, um dia Michael se apaixona. E esse dia é justamente o do ensaio de casamento do seu primo-irmão John. E com tantas mulheres em Londres ele vai se apaixonar justo pela noiva do primo. Francesca, John e Michael tornam-se inseparáveis. O melhor amigo do marido torna-se também seu melhor amigo e a relação dos três é invejável, graças a todos os esforços de Michael para esconder os verdadeiros sentimentos que nutre pela esposa do primo.

Mas então John vai dormir e acaba não acordando. Francesca fica desolada e Michael também. Os dois acabam se refugiando em locais diferentes, longe um do outro. Quatro anos depois, os dois voltam a se reencontrar e o clima de confiança e provocações é o mesmo. Francesca quer encontrar um marido que possa lhe dar um filho e Michael precisa (mesmo que contra sua vontade) casar-se o mais rápido possível, afinal, agora ele é um conde e precisa encontrar uma nova condessa de Kilmartin.

conde

Como é de praxe, Julia Quinn usa bem o psicológico de seus personagens para criar os conflitos em suas histórias. Michael tem a plena certeza de que Francesca é a mulher da sua vida, e já tinha essa certeza seis anos atrás quando a conheceu. Mas luta contra esse sentimento com todas as forças, em respeito ao primo querido falecido. Francesca, por maior que seja a vontade de ter um filho – e sabe que para isso precisa casar-se novamente -, não acha correto se envolver com mais ninguém, pois acredita que jamais amará outro homem como amou John.

Acontece que não é nada fácil fugir da atração mútua que existe entre os dois, da admiração e do ciúme que, por muito tempo, Francesca confunde com uma grande amizade. E é talvez aí que o sexto livro da série Os Bridgertons se torna o mais fraco em questão de história. Não tem muitos rumos diferentes a serem seguidos, além de duas pessoas que claramente se amam mas não conseguem aceitar em memória de um ente querido falecido.

O Conde Enfeitiçado, em algumas páginas, parece querer seguir mais a linha new adult, por trazer mais cenas de sexo do que o comum nos outros livros da série, destoando da tradição – mas não da realidade, não sejamos ingênuos – da época em que se passa a história. Acredito eu que isso se dê, não somente para preencher algumas páginas e prolongar o enredo, mas porque a posição de Francesca, como viúva e experiente nesse quesito, permite, ao contrário das outras damas mostradas nos livros anteriores.

Por se tratar de uma mesma família, é comum encontrar em um livro referência a outros, mas neste as histórias se entrelaçam ainda mais. É interessante ver que a história de amor de Francesca acontece praticamente ao mesmo tempo que a de Colin e  Eloise; é extremamente empolgante acompanhar a dinâmica da família (apesar de que foi preciso recorrer aos outros livros na estante para tentar organizar uma linha cronológica durante a leitura).

Francesca é a irmã mais desgarrada da família, por se achar diferente das demais. E é também a única filha de Lady Violet a entrar em um segundo relacionamento. Por esse motivo, Francesca demonstra ser mais independente, mais madura e com bastante conhecimentos não só conjugais e domésticos, mas também um certo jeito para os negócios. E Michael, bem, Michael é realmente parecido com Colin Bridgerton. Nos hábitos, na aparente falta de compromisso e imaturidade e também no jeito irônico e provocador de ser. Julia Quinn tem essa coisa de criar homens extremamente apaixonantes, por mais cafajestes que pareçam ser. São sempre divertidos, inteligentes e, acima de tudo, honrados e cavalheiros, até mesmo aqueles que não levam o sobrenome Bridgerton. Acho que Francesca é a filha mais sortuda, por ter tido em sua vida a oportunidade de amar dois homens igualmente incríveis.

p.s: se já existia em mim uma vontade absurda de ver as histórias dessa família em uma série de tv, depois de O Conde Enfeitiçado ela se tornou ainda mais urgente, devido as histórias dos irmãos se misturarem ainda mais nesse sexto livro.

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p.s2: esse livro foi um presente da e eu nunca vou parar de agradecer ou tentar retribuir. Veio autografado pela Julia Quinn diretamente da Bienal do Livro no Rio de Janeiro <3 Muito, muito, muito obrigada, sua linda!