Livro x Filme: O Grande Gatsby

Em 14.09.2015   Arquivado em Cinema, Livros

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Romance americano sobre os anos prósperos e loucos que sucederam a Primeira Guerra Mundial. O texto de Fitzgerald narra a história de amor de Jay Gatsby e Daisy. Ela, uma bela jovem de Lousville e ele, um oficial da marinha no início de carreira. Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. A história é contada por um espectador que não participa propriamente do que acontece – Nick Carraway. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente. 

O Grande Gatsby estava na minha lista há muito, muito tempo. E eu cismei que só assistiria ao filme depois que lesse o livro. Passei anos me controlando, até que eu finalmente encontrei um edição maravilhosa disponível para troca no Skoob e não resisti. Ela é da RBS Publicações, toda lindona em capa dura, num tom de verde que eu amo! Um dos livros mais lindos da minha estante.

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O livro é curtinho, nove capítulos apenas e a linguagem é tanto quanto complicada – já esperado para um clássico -, mas nada que comprometa a leitura. Confesso que me senti um pouco perdida várias vezes, por apresentar os diálogos de uma forma meio aleatória, quase sempre sem indicação de quem estava falando. Os intervalos de tempo também atrapalham às vezes, pois não são tão bem sinalizados quanto deveriam e isso sim me incomodou um pouco. No geral, achei tudo bem confuso, quando se tratando de alguns detalhes. Mas a trama em si, a essência da história e dos personagens não é perdida.

“Cada um de nós desconfia que possui pelo menos uma das virtudes cardinais – e a minha é esta: sou uma das poucas criaturas honestas que jamais conheci.”

O que eu particularmente gostei nesse livro foi o fato de que o narrador não é o protagonista. Nick Carraway retrata Gatsby como ele o vê, como os outros o veem e também, como o próprio Gatsby ver a si próprio. São pontos de vistas diferentes que se misturam e se confundem, narrados por uma mesma pessoa que, ao mesmo tempo em que olha tudo de fora, também faz parte daquilo. Posicionamento este que é bem retratado, especialmente no filme.

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Gatsby é um personagem cativante. Por trás de todo mistério e dinheiro que ele carrega, há um homem inteligente, visionário, triste e, acima de tudo, apaixonado. Tudo que ele faz, tudo que ele conquista, é pensando em Daisy, seu grande amor. Jay Gatsby é um homem sonhador. Sua ingenuidade chega a ser encantadora e, ao mesmo tempo, angustiante. Angustiante porque é doloroso ver que o amor parece ser uma via de mão única, que Daisy não passa de uma mulher fútil que não merece o mínimo esforço por parte de Gatsby.

“Sabia que no momento em que a beijasse estaria unido a ela para sempre. Então eu parei. Parei e aguardei. Aguardei por um momento a mais.”

“Ele sabia que seu espírito jamais dançaria de novo como o espírito de Deus havia dançado Que se apaixonar mudaria seu destino para sempre.”

Ao ler o livro já imaginei que o filme tinha tudo para ser bem fiel à obra, por se tratar de poucas páginas. E ao assistir a adaptação não me decepcionei. Assisti ao filme mais recente, de 2013, com o DiCaprio e, sinceramente, não tenho do que reclamar. Os diálogos foram retirados do livro e colocados no script, idênticos. Até mesmo a narração de Nick é extremamente fiel às palavras escritas por Fitzgerald.

A fotografia é maravilhosa, os figurinos idem e até o jogo de cores e a trilha sonora foi minimamente planejada para tornar a atmosfera fiel à época retratada na trama, ao mesmo tempo em que se enquadra perfeitamente nos dias atuais. O Grande Gatsby é um clássico atemporal que, mesmo retratando perfeitamente os costumes e a realidade novaiorquina nos anos 20, faz críticas sociais que se perpetuam até hoje, no mundo inteiro.

THE GREAT GATSBY

Ao menos para mim, esse é um daqueles raros casos em que o filme ganha do livro em alguns aspectos fundamentais. A adaptação cinematográfica é fiel de uma forma que não decepciona em momento algum. De uma forma que acrescentar cenas e falas que não existem no original nada mais faz do que contribuir para uma atmosfera ainda mais gratificante. Cenas e falas que tornam o filme mais romântico do que o livro. Cenas, falas e pequenos detalhes que facilitam a compreensão dos fatos que, em algum momento, acabaram por ficar confusos durante a leitura.

O Grande Gatsby é uma leitura obrigatória para os amantes dos clássicos e o filme sempre será uma excelente escolha, a qualquer momento e em qualquer companhia. Scott Fitzgerald criou uma verdadeira obra de arte que precisa ser observada, sentida e compreendida, na literatura e no cinema.

“Gatsby acreditava na luz verde. Naquele futuro orgástico que, ano após ano, se afasta de nós.”

Imagem de Amostra do You Tube

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