Livro x Filme: Atonement

Em 05.08.2015   Arquivado em Cinema, Livros

atonement-trailer-title-still

Reparação é um romance incrível que narra, nos mínimos detalhes, as consequências de um equívoco causado a partir da mente imaginativa de uma criança no ano de 1935. Briony Tallis vê pela janela uma cena incompreensível: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, e filho da arrumadeira da família, despe saia e blusa para mergulhar, de calcinha e sutiã, na fonte do quintal. Esse episódio, seguido de uma sucessão de equívocos, faz com que, a aprendiz de romancista, movida por uma imaginação fértil, cometa um crime que marcará o futuro de todos. Briony, então, passará o reto da vida tentando reparar o erro que causou.

reparação

O livro é extenso e divide-se em três partes, sendo a primeira dividida em capítulos. As outras duas funcionam como um enorme capítulo cada uma, o que me incomodou um pouco, pois tornou a leitura cansativa, já que a ausência de capítulos dificultava fazer uma pausa. O vocabulário pode parecer um pouco complicado, mas nada que comprometa a leitura.

Apesar das duas horas de duração do filme, já era de se esperar que o livro ainda fosse bem mais detalhado. Ian McEwan faz isso ao colocar poucas falas, explorando melhor as divagações de seus personagens com a ajuda de um narrador onisciente. A leitura do livro nos permite compreender melhor os sentimentos e pensamentos de Briony, os motivos que a levaram a fazer o que fez, os efeitos da culpa, o desejo de reparar seu erro.

ATONEMENT-WALLPAPERS-atonement-24570157-1280-1024

O filme, que no Brasil recebeu o nome de Desejo e Reparação, não deixa a desejar em momento algum. Indicado a sete Oscar, Atonement levou para casa a estatueta de Melhor Trilha Sonora e o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama. Um dos maiores pontos positivos na adaptação cinematográfica, para mim, é o fato dos diálogos serem praticamente idênticos aos do livro. E é tudo tão fiel que enquanto eu lia, as cenas vinham à minha mente, exatamente iguais ao que estava sendo narrado por McEwan. Até a ordem em que as cenas são contadas no livro é a mesma no filme. A trama se desenvolve fora de uma ordem cronológica e alterna entre a visão de Briony e o que realmente aconteceu. Poder retratar isso no filme sem nenhuma perda é realmente gratificante.

“Eu vou voltar. Vou achar você, amar você, casar com você. Viver com você, sem vergonha.”

Tanto o livro quanto o filme conseguem mexer com a gente, conseguem passar emoção. É inevitável não sentir raiva de Briony, ou empatia pelo sofrimento de Cecília, ou um desespero pela sobrevivência de Robbie em meio à guerra. A cada toque de Cecília e Robbie, a cada carta enviada, a cada lembrança, cada suspiro de esperança, meu coração se apertava mais. O amor dos dois chega a ser palpável.

E não tem como controlar a tiete que existe dentro de mim quando falo de Desejo e Reparação. Keira Knightley, James McAvoy e Benedict Cumberbatch no mesmo filme é mais amor do que consigo aguentar. Preciso dizer o quanto eles estão incríveis, como sempre? Não. Mas preciso abrir um parenteses para elogiar, especialmente, o McAvoy. Em entrevista uma vez ele falou não se orgulhar de muitos filmes que carrega na sua carreira, mas tenho certeza de que Atonement não é um deles. O rapaz se garantiu muito, principalmente nas cenas da guerra. Ele conseguiu levar para as telas o Robbie do livro de Ian McEwan. Bem como Saoirse Ronan, que aos 13 anos mereceu (e muito!) a indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Imagem de Amostra do You Tube

Sou extremamente suspeita para falar dessa obra, porque Atonement é um dos meus filmes preferidos da vida, mas acho que todo mundo, independente de gostar do gênero, precisa assistir (e ler!). Reparação fala sobre amor, sobre culpa e perdão, sobre perdas. E de brinde ainda tem muito sobre literatura e um James McAvoy falando francês.

atonement ficha tecnica