Filme x Livro: Um Dia

Em 18.04.2014   Arquivado em Cinema, Livros

um dia

{Cuidado, esse post contém alguns spoilers.}

Esses dias eu finalmente terminei o livro Um Dia e fiquei ainda mais apaixonada pela história. Lembrava vagamente do filme, então decidi assistir novamente e comparar os dois. Antes de tudo devo dizer que é impossível contar a história na íntegra em um filme de pouco menos que 2 horas de duração, afinal são vinte anos narrados em detalhes pelo autor David Nicholls.

Mas ainda assim, o filme não foge muito do best seller, já que o roteiro e o livro foram escritos pela mesma pessoa, preservando os principais diálogos da obra original.

A questão do tempo é, talvez, o único defeito do filme, pois alguns anos, tidos como sem muita importância, acabam passando rápido demais, de forma que algumas informações ficam soltas. São pequenos detalhes que aparentemente não fazem muita diferença, mas que para um telespectador atento e exigente – e que já tenha lido o livro – não passam despercebidos.

Observei duas ou três situações que foram alteradas no filme, provavelmente com a velha licença poética para deixar tudo mais atrativo e prender a atenção de quem está assistindo. Como na cena em que Dexter conta que está noivo e será pai. No livro ela acontece quando os dois estão perdidos em um labirinto no jardim, enquanto no filme Dex a leva para a manjada e clichê cobertura do prédio. A cena acaba perdendo um pouco da graça e  encanto que tinha no livro, mas ainda assim é linda. Outra diferença é quando eles estão na França e Em fala do novo namorado. No livro, ela desmarca o compromisso e põe um fim ao namoro depois de ouvir sobre os sentimentos de Dexter, já no filme, ela precisa sair com o Jean para descobrir que na verdade quer ficar com o melhor amigo e só então corre atrás dele. É uma cena bonita, não tem como negar, dá até para perdoar o “deslize”. 

Fora isso, achei que o filme foi fiel ao livro o máximo que pôde. O envelhecimento dos personagens, o figurino, tudo impecável. O perfil dos personagens foi preservado, tanto psicologicamente como fisicamente (mesmo que Anne não seja “um pouco” ruiva como a Emma do livro).

Aliás, sei que tenho tendência a puxar para o lado da atriz por toda minha admiração, mas ela está maravilhosa em Um Dia, inclusive o sotaque, está quase mais inglesa que o Jim Sturgess. (Recomendo que assistam legendado para se certificarem disso).

Quem assistiu somente ao filme e achou lindo eu garanto que o livro é infinita vezes mais. É longo – demorei mais do que gostaria para ler -, rico em detalhes, mas de forma alguma é uma leitura cansativa. O vocabulário é bem simples e uma leitura muito, muito leve. Entrou fácil, fácil para minha lista de preferidos. Um capítulo inclusive é o meu preferido, o catorze, dedicado à relação de Dexter com a filha. Achei muito lindo e divertido, ainda mais do que a cena dedicada a ele no filme. É que no filme ele parece sóbrio e o Dex sóbrio nunca é muito engraçado, hahaha.

O vencedor dessa vez? O livro. Embora eu prefira o final do livro. Por toda a riqueza de detalhes. Conseguimos sentir cada emoção junto com os personagens; rimos, choramos, sentimos raiva, angústia… E não tem nada melhor do que viver como se estivesse dentro do livro, eu adoro.

De qualquer forma, o filme é sempre uma excelente opção e o casal é lindo e bem-humorado aonde quer que você procure. Em e Dex. Dex e Em, para sempre.