Filme x Livro: A Abadia de Northanger

Em 05.06.2016   Arquivado em Cinema, Livros

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Escrito em 1797, A Abadia de Northanger é, talvez, um dos livros mais leves e cômicos de Jane Austen. Narra a trajetória de Catherine Morland em sua visita a Bath, onde conhece dois jovens e suas respectivas irmãs, criando laços de amizade e admiração.

Na verdade, o livro é uma espécie de manifesto ao gênero romântico, criticando o fato de romances serem considerados livros inferiores e “de mulherzinha”. A forma como é escrito deixa essas intenções de Jane bem claras, sempre conversando com o leitor e fazendo alusões a “Os Mistérios de Udolpho“, romance gótico de Ann Radcliffe, que a protagonista lê durante toda a trama.

“A pessoa, seja um cavalheiro ou uma dama, que não tem prazer com um bom romance deve ser intoleravelmente estúpida.”

Confesso que a leitura demorou um pouco para fluir, pois, independente da quantidade de páginas, sempre considero os livros de Jane Austen extensos, por causa da linguagem rebuscada e dos parágrafos grandes demais. Mas do meio para o fim tornou-se uma leitura muito leve e deliciosa, principalmente a partir do momento que Catherine visita a Abadia.

As personagens são, como sempre, um retrato bem fiel – e talvez um pouco generalizado, me atrevo a dizer – da época e não me surpreende que no início eu tenha ficado um pouco em dúvida sobre para qual dos dois pretendentes de Catherine torcer, afinal, Jane Austen sabe bem como criar homens cativantes. Com Henry Tillney não poderia ser diferente, que rapaz encantador! Não demorou muito para meu coração pender (forte) para um lado. Catherine é uma jovem curiosa e simpática, extremamente afeiçoada às pessoas e fiel a seus amigos. Em resumo, é um amor de menina.

Quanto ao filme, assisti a versão de 2007, com a linda Felicity Jones (e não sei se há outras por aí, mas não me surpreenderia se encontrasse) e confesso que, de todas as adaptações para cinema e tv das obras de Austen que já vi – e olhas que não foram poucas – essa foi a que menos gostei até agora. Na minha opinião poderia ter sido mais fiel à estória original, apesar de algumas falas serem idênticas ao livro. No entanto, alguns detalhes que foram mudados me pareceram fazer uma diferença pequena, mas significativa. Além de terem apressado muito o desenvolvimento da trama.

Outro fator que me incomodou na adaptação foi o exagero cômico. Entende-se perfeitamente que o livro é uma espécie de sátira aos romances góticos e apresenta uma escrita mais leve e divertida, mas, para mim, o humor no filme ficou um tanto exagerado. Algumas cenas jamais foram escritas por Jane Auste e ouso dizer que jamais seriam e só serviram como um apelo para agradar aos mais variados públicos no filme.

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Ainda assim, entendo que algumas mudanças e acréscimos só tornaram o sr. Tillney ainda mais encantador e disso ninguém está reclamando, que fique bem claro. A boa e velha licença poética que a gente sabe que existe no cinema. Vale ressaltar que gostei do elenco.

O filme pode ser assistido online e legendado aqui. Quanto ao livro, o meu exemplar é da Landmark, uma edição bilíngue e com uma tradução que não deixa brechas para reclamações.