Categoria "Textos"

A gente precisa aprender a lidar com a frustração

Em 21.06.2016   Arquivado em Pessoal, Textos

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Esse é um daqueles textos pessoais e sem sentido algum que você não precisa ler, mas que eu escrevi mesmo assim.

“A gente precisa aprender a lidar com a frustração”. Dois anos de curso e já ouvi essa frase e suas variações mais vezes do que você pode imaginar. Mas é aquela história, a gente não se dá conta verdadeiramente das coisas até que sai da teoria e finalmente passa para a prática. E foi na prática – não por escolha própria – que eu entendi a veracidade dessa frase.

O ano começou cheio de expectativa, com uma Cecília recém chegada de umas férias de três meses prolongada por um show da Maroon 5. E então veio uma greve e com ela a tal da frustração, da procrastinação e a tão famosa bad. Eu sou aquele tipo de pessoa estranha que se envolve com milhares de atividades ao mesmo tempo e que adora isso. Daquelas que está sempre ocupada e cheia de compromisso. E eu preciso disso para me sentir útil, me sentir viva. Eu simplesmente adoeço se ficar parada. Foi exatamente isso que aconteceu.

Com a faculdade de greve, eu imediatamente me estressei, com toda a situação de paralisação e com a confusão e bagunça que viria com o fim dela (porque se não sofresse horrores por antecipação não seria eu). E passei a ficar em casa, sem conseguir marcar uma simples ida ao cinema, porque vivia com a incerteza do fim da greve, podia acabar no próximo mês, mas também podia acabar amanhã. A preguiça me dominou. E mesmo ainda tendo aula de uma disciplina,  a mais difícil do semestre, eu simplesmente procrastinei.

Em algum ponto eu parei de assistir minhas séries, ler meus livros ou fazer qualquer coisa que não incluísse ficar na minha cama olhando para o teto. Porque eu me sentia inútil. Então veio uma doença atrás da outra, crises de alergia, de gastrite, noites em observação no hospital, minha veia nunca viu tanta agulha em um período tão curto de tempo.

O não fazer nada me adoeceu e eu descobri que na verdade tudo era uma reação em cadeia daquilo que começou com uma frustração: a greve em um período acadêmico recém iniciado. “A gente precisa aprender a lidar com a frustração”, era um eco na minha cabeça. Metódica como sou, daquelas que já tem os próximo 5 anos da vida minimamente planejados, qual não foi a minha reação ao descobrir que não poderia mais fazer planos, que minha formatura provavelmente seria atrasada e todos os 5 anos que planejei no meu caderninho simplesmente iriam por água abaixo?

Mas minha mãe sempre disse que um dia eu ia quebrar minha cara, cair de uma altura grande demais com essa mania de planejar até o sexo e ordem de nascimento dos filhos. Mãe sabe das coisas.

Moral da história, crianças? Aprendam com a tia Cecília: se frustrar faz parte da vida, é essencial. E é uma droga. Mas a gente cresce um pouquinho. E depois da onda de azar vem sempre uma de sorte, é o que eu gosto de acreditar. No meu caso veio meu computador, que visitou o médico dos computadores tantas vezes eu visitei o de gente, mas agora tá aqui, novinho em folha. Veio o fim dos malditos e estressantes relatórios de Análise do Comportamento (eu ouvi um amém?). Veio também uma oportunidade de estágio, pra ocupar minha mente e me render um bom aprendizado. Veio o abraço do meu namorado depois de meses longe. E veio o fim da greve, ou quase isso. Agora a rotina vai voltar com força e eu vou reclamar no twitter de sempre viver atarefada e cansada. Mas quem eu quero enganar? Eu sou aquela que gosta de me sentir exatamente assim: viva.

Sobre mudanças permanentes

Em 21.03.2016   Arquivado em Pessoal, Textos

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Tem experiências na vida da gente que nos transforma, assim, sem mais nem menos. Essa experiência, para mim, foi o intercâmbio, e eu não canso de repetir.

Eu sempre fui uma pessoa que ama viajar, fazer as malas e sair em busca de novas paisagens, novas histórias para ouvir e contar. Simplesmente fui criada assim, nesse clima gostoso de road trip, mesmo que eu morra de medo de estrada. Chega a ser contraditório, mas faz um sentido danado para mim.

Demorou uns bons anos até eu finalmente entrar em um avião e, apesar do frio na barriga que eu sinto até hoje, foi mágico. A ideia de chegar mais rápido ao meu destino, as horas a mais que eu ganharia para turistar e fotografar e viver naquele novo lugar, as pessoas com quem conversaria durante a viagem, tudo isso passou a significar muito para mim.

Até os meus 19 anos, férias sempre foi sinônimo de viagem que, por sua vez, era sinônimo de família. Eu, meus pais e meu irmão conhecemos muitos lugares juntos ao redor desse Brasil. A programação era feita em cima das necessidades e desejos de cada um, todos os passeios, sem exceção, eram em família. E é incrível como você aprende a amar até mesmo as disputas pela poltrona da janela, pela cama ao lado da tomada, a briga pela vez no banheiro.

Então eu embarquei na minha primeira aventura sozinha e foi aí que a mudança aconteceu. Eu enfrentei alguns dos meus maiores medos logo na sala de embarque no aeroporto. Eu chorei com saudade de casa pela primeira vez. Fui obrigada a deixar a vergonha de lado e falar em inglês em voz alta para outras pessoas que não eram meus professores. Me esforcei verdadeiramente pela primeira vez para tentar entender um mapa, porque, ali não havia minha mãe, a mulher que inspirou o GPS, para me ensinar o caminho. Eu precisava vencer o frio e a preguiça e levantar da cama todas as manhãs, quando o céu ainda estava escuro, para pegar o transporte público, coisa que eu nunca tinha feito, a não ser com meus pais nas viagens que fizemos juntos.

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Aproveitar Londres foi a parte mais fácil. Visitar os pontos turísticos, tirar fotos clichês, me perder no metrô, perseguir os passos de Benedict Cumberbatch, conversar com a host family todas as noites, tornou-se parte da minha rotina por quinze dias. Voltar para casa talvez tenha sido a parte mais fácil de todas, apesar da vontade imensa de ficar mais um pouco.

A mudança só foi percebida meses depois, já em terras tupiniquins. E então já era tarde demais, me dei conta de que era permanente. Eu era agora uma pessoa mais livre, sem medo. E ainda sou extremamente apegada a coisas e a pessoas, ainda me dói o coração só em pensar na ideia de deixar tudo e todos que eu amo para embarcar numa nova aventura por muito tempo. Mas isso não me impede de sonhar com o resto do mundo. Há 1 ano, viajar sozinha ou morar longe era apenas uma daquelas coisas que a gente morre de vontade de fazer mas sabe que vai acabar desistindo em cima da hora. Hoje, é um desejo urgente.

Eu mal consigo enumerar os benefícios de uma viagem. Há uma certa beleza inexplicável nas salas de espera dos aeroportos, em toda aquela gente diferente carregando malas, tirando e olhando fotografias, em todas as conversas com o passageiro do assento ao lado, na saudade de casa, na busca incessante por presentes para as pessoas queridas, nas comidas horrivelmente caras de aeroporto, no frio na barriga quando o avião decola e pousa, na tensão da entrevista na imigração, no carimbo no passaporte…

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E como recompensa vem muito mais do que o peso extra na mala na volta para casa. Vem as paisagens e os sentimentos que uma câmera não foi capaz de capturar, o gosto da comida estranha que custou caríssimo e no fim era horrível, mas valeu só pela experiência, o carinho das pessoas que você conheceu no meio do caminho, as palavras novas que você aprendeu em outra língua ou o sotaque daquela região distante do Brasil do qual você não consegue mais se livrar.

É permanente, feito uma tatuagem que marca o corpo. Eu não tenho mais medo de enfrentar o desconhecido, porque já o enfrentei e sobrevivi. E o desconhecido me fez mais forte, me fez mais livre, me fez melhor. A única coisa que eu penso agora, todos os dias, é em viajar e viajar e viajar. Viagem é minha moeda de troca e a primeira palavra que eu penso quando se  fala sobre mudança, transformação.

Sou daquelas que acredita que a vida é sim feita de experiências, que tudo que levamos no fim são as histórias que fizemos, que contamos e todos os sorrisos que foram estampados nos nossos rostos ou no de outras pessoas. Talvez viajar o mundo e conhecer pessoas, trocar uma palavra com elas, seja minha missão nesse mundo ou uma pequena parcela dela. Talvez eu só queira viajar e sentir a sensação de liberdade misturada àquela saudade gostosa de casa. Talvez eu só queira viver.

Retrospectiva 2015: ah, vida real

Em 28.12.2015   Arquivado em Pessoal, Textos

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Intenso. Essa é a palavra. 2015 foi um ano intenso. Cheio de altos e baixos, como tudo na vida. Um misto de alegrias e tristezas, de conquistas e perdas, mas com um saldo – me atrevo a dizer, mesmo sendo ruim com números, -positivo.

O ano já começou com a promessa de boas novas e bons momentos. Um mês inteiro de preparativos e expectativas para o que viria a ser a realização de um sonho: conhecer a terra da rainha. E quando eu percebo, pisquei e já se passou quase um ano.

Passei boa parte do meu 2015 fazendo o que mais gosto de fazer: turistando! Do Rio de Janeiro à Londres, passando pelo sertão do Brasil, numa cidezinha da Paraíba para (finalmente!) conhecer o cantinho do namorado. Marquei mais uma cidade na lista de lugares para conhecer e descobri os encantos de Curitiba; caminhei sob as Cataratas do Iguaçu, indo até a Argentina e Paraguai e voltando logo em seguida. Visitei tios que não via há 18 anos e corujei os novos priminhos; soprei as velinhas e comemorei mais um ano de vida ao lado dessa parte paulista da família que nos mostrou as belezas de São José e Campos do Jordão.

A faculdade entra na lista de coisas que me surpreenderam de forma positiva. Finalmente me deixei cativar pela pessoas e descobri as melhores amigas que podia ter para me acompanhar nessa jornada acadêmica e, quem sabe, profissional.

Conservei antigos amigos, fortaleci laços e ganhei de presente mais algumas pessoas incríveis.

No meio do caminho tiveram algumas perdas. As mágoas, medos e maus hábitos que deixei para trás foram bem maiores que qualquer pessoa que possa ter saído do meu convívio. E ainda bem que até o saldo de perdas foi positivo!

Mas se teve algo que realmente vou levar comigo de 2015 é toda a aprendizagem que ele me proporcionou. Aprendi a acreditar mais em mim e nos meu sonhos, a me virar sozinha, a me abrir mais para as pessoas certas e me fechar para as erradas. Aprendi a ser mais forte com as novas responsabilidades que surgiram. Aprendi que toda família tem problemas, mas que, na grande maioria das vezes, são eles próprios que vão servir de solução para os outros. Aprendi que a perda física de uma pessoa causa uma dor absurda e em proporções inimagináveis, mas que também desperta sentimentos e uma força que você jamais julgou ter. Aprendi que sim, você se torna realmente responsável por aquilo que cativa. Que todos nós mudamos o tempo todo e que não tem problema algum nisso, desde que não esqueçamos todas as pessoas que fomos um dia. Aprendi que a vida tem coisas boas e ruins e que as coisas boas não anulam as ruins, ou vice versa, nem que uma torna a outra menos importante; porque todos nós somos apenas histórias no fim, só nos resta fazer delas, boas.
                                                            (esse post foi patrocinado por Steven Moffat)

2015 foi um bom ano. Começou de uma forma linda e talvez não termine tão bem assim, mas o recheio, o que tá dentro do pacote, é o que faz tudo valer a pena. O que fez tudo valer a pena. E eu espero sinceramente, do fundo do meu coração, que 2016 seja ainda melhor.

Esse post faz parte do Pena & Tinta, um projeto de escrita criativa com o objetivo de criar textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc) mensalmente em cima de um tema predeterminado. O tema de dezembro foi final de ano, e se você quiser participar, é só acessar o grupo no Facebook

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