Categoria "Séries"

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

Em 14.01.2016   Arquivado em Pessoal, Séries

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Downton Abbey era aquele tipo de série que eu sabia que fazia o meu estilo. Série de época, britânica e com um elenco incrível mas que, por algum motivo, não conseguia me prender. Eu tentei não uma, mas duas vezes, passar do episódio piloto e não obtive sucesso. Hoje entendo que a única explicação plausível para isso era que, naquele momento, eu não estava pronta. Porque um belo dia eu decidi tentar de novo e foi então que tudo aconteceu.

Tudo em Downton sempre foi tão intenso que, em determinado ponto, eu não aguentei e tive que parar. Parar para tentar associar os acontecimentos. Parar para sentir cada detalhe das três temporadas que eu tinha acabado de assistir numa velocidade absurda. Foi o hiatus mais longo que já dei. Dois meses até eu me sentir pronta para voltar. E pouco tempo depois eu tive que me despedir. O resultado foi essa ressaca louca, essa bad que bateu tão forte que não consigo me conectar a mais nenhum seriado.

Talvez a culpa seja do desenvolvimento que os personagens tiveram ao longo das seis temporadas. Da paixão avassaladora que Matthew Crawley me causou, do misto de amor e ódio (mais ódio que amor, devo admitir) que Lady Mary me fez sentir, da repentina empatia (e simpatia) por Lady Edith, da crescente admiração por Lady Violet, da carisma de Lady Rose e do enorme orgulho do homem que Tom Branson se tornou. Personagens que começaram discretos e superficiais, mas que amadureceram e surpreenderam tanto a ponto de virar minha vida de ponta à cabeça.

E pode ser essa coisa meio louca de estudante de psicologia que, mesmo sem querer, está sempre analisando todo mundo, mas o fator que mais me atrai e me prende em uma série é a construção e o desenvolvimento de seus personagens. Foi exatamente isso que me fez ficar em Downton, que fez com que eu fosse bem recebida e me sentisse em casa. Uma série onde todo mundo é humanamente possível, com qualidades admiráveis e defeitos que, vez ou outra, chegam a ser insuportáveis. E eu poderia passar horas escrevendo individualmente sobre cada um deles, mas escolhi apenas três para demonstrar o quanto as pessoas cresceram e se descobriram ao longo da série.

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Várias e várias foram as vezes que odiei Mary Crawley, que a odiei com todas as minhas forças. Que a xinguei e maldisse a personagem. Mary é fútil, arrogante, interesseira e extremamente egoísta. Mas, mais de uma vez, fiquei feliz por conseguir enxergar a Mary que Carson e Matthew (e Tom, mais lá na frente) tanto amavam, admiravam e defendiam. A Mary preocupada e apaixonada que cuida do homem que ama, que acoberta e ajuda os amigos sem se importar se eles são seus empregados. Mary é uma personagem intensa, com uma personalidade forte e foi a que mais me irritou na série inteira (e em um cenário em que há O’Brien e Thomas isso é realmente surpreendente), mas não tem como negar que ela amadureceu (e amoleceu) ao longo dos anos, que teve um excelente desenvolvimento mais do que condizente com sua história.

Edith me irritava profundamente no início. Por mais que eu tivesse raiva de  Mary, ver Edith a prejudicando me deixava ainda mais irritada. Me indignava ver duas irmãs se tratarem de forma tão hostil e pesada. Por isso não foi difícil para Sybil conquistar meu amor com toda sua meiguice, simpatia e vontade de crescer na vida sem precisar passar a perna nos outros. Eu realmente detestava Mary e Edith. Mas, de repente, me vi admirando as duas, me vi sofrendo por Edith e desejando mais que tudo que ela tivesse um final feliz. Edith, sem dúvida, foi a personagem que mais cresceu na série. Uma personagem que vivia à margem da própria família, rejeitada e esquecida, mas que conquistou seu espaço e respeito. Que soube batalhar pelos seus objetivos sem medo de ser julgada ou criticada. Que, mais do que qualquer outra pessoa, soube lidar com as consequências de suas escolhas e com todas as dificuldades impostas pela vida.

E não seria eu se não conseguisse uma brecha para falar de Tom Branson. O personagem que me cativou desde sua primeira cena, aquele mesmo de quem ninguém podia esperar grande coisa. Branson, ao meu ver, sempre foi um personagem com grande potencial para crescer na série e se os produtores não tivessem visto isso eu mesma teria escrito um roteiro só para ele. E não adianta, eu sempre pego pelo menos um para ser meu protegido em qualquer cosia que eu assista ou leia. Em Downton Abbey, Tom Branson foi o meu filho protegido. Imaginem o meu orgulho ao ver o que ele se tornou ao final de seis temporadas. Um rapaz sábio, de coração enorme, apaixonado e fiel a todos que um dia já amou. Tom era o patinho feio que devagarzinho, sempre discreto, foi subindo um degrau de cada vez e se tornou um homem honrada e querido por todos. Que conquistou até mesmo aquele que um dia tanto lhe rejeitou. Tom soube não só perdoar todos os vacilos dos Crawleys como também aprendeu a amar e a defender cada um deles.

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E o maior erro de Downton Abbey talvez tenha sido não dar um final feliz digno a Tom Branson. Mas provavelmente estou sendo injusta. Talvez nenhum final jamais seja digno o suficiente de Tom, assim como nenhuma mulher jamais será boa o suficiente para Matthew e nenhum casal jamais alcançará o nível de encantamento e respeito de Robert e Cora e muito menos alguém será capaz de roubar de Violet o posto de personagem mais incrível da série.

E para não dizer que só falei dos patrões vamos convidar algumas pessoinhas de downstairs para sentar-se à mesa conosco. Anna e Bates que tanto comeram o pão que o diabo amassou e que estavam aparentemente fadados ao fracasso conseguiram enfrentar todas as dificuldades juntos, sem nenhuma vez pensar em desistir. A força desses dois é invejável! Mas já que o tópico é desenvolvimento, ninguém melhor para representar o núcleo do que Thomas. Mesquinho, encrenqueiro, egoísta e mal caráter que passou temporadas inteiras prejudicando os coleguinhas, chantageando as pessoas e tirando vantagem dos outros. Um personagem odiável. Um vilão, talvez? Não. Pode demorar um pouco para perceber, mas Thomas é como qualquer outro: verdadeiro. E por mais que ele insista em mostrar somente os defeitos, vez ou outra deixa escapar umas atitudes admiráveis. E no fim está tudo bem sentir-se mal pelo sofrimento dele, encantar-se com a forma carinhosa com a qual ele trata as crianças e torcer pelo seu sucesso e felicidade. Downton Abbey faz isso com você. Os personagens fazem isso com você, porque são todos incrivelmente bem construídos e bem desenvolvidos. E é tudo tão cativante, tão apaixonante.

Downton Abbey conquistou um espaço enorme no meu coração e estou feliz que o tenha feito, porque não foram só os personagens da série que aprenderam alguma coisa com todas as histórias e sofrimentos da trama, eu também amadureci. E não é lindo quando algo ficcional consegue lhe tocar de forma tão profunda na vida real? Não é esse o objetivo de todo mundo que se dispõe a criar algo: tocar as pessoas? Eu penso que sim e gosto disso. Se nós nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, então Downton Abbey terá sempre um lugar no meu coração.

Esse post é um oferecimento de Ana Holmes. Obrigada por me inspirar a escrever tudo isso, por finalmente colocar para fora tudo que precisava ser dito sobre essa série. Did I make the most of loving you?

Séries | Sherlock Tag

Em 31.12.2015   Arquivado em Séries, Sherlock

Quem acompanha esse blog há algum tempo já percebeu que Sherlock é minha série preferida, o meu xodózinho. E foi o amor em comum pela série (e pelo Benedict) que me apresentou à Denise, então nada mais justo que gravar a BBC Sherlock Tag com ela, né? E o timing não poderia ser melhor, bem na Sherlock’s Eve, véspera do Especial de Natal Ano Novo que vai ao ar no primeiro dia do ano que é para 2016 já entrar com o pé direito.

Ficou grandinho porque a gente fala sempre demais e acaba se empolgando, mas também porque o vídeo contou com participações especiais da irmã da Deni, do Doctor, seus companions e até dos Vingadores. Tá perdido? Não entendeu nada? Então dá play aí, senta confortavelmente e vem com a gente!

 Imagem de Amostra do You Tube

Séries | amigos favoritos da ficção

Em 20.12.2015   Arquivado em blogagem coletiva, Séries, Top 5

Falou em brotp pode ter certeza de que estou no meio da discussão. Sou uma romântica assumida e incurável, mas as amizades quase sempre mexem mais comigo do que um casal de namorados. A CosmoTag de Dezembro das Discípulas de Carrie é indicar os meus cinco grupos de amigos favoritos da ficção. E como a louca dos brotps (e das séries!) eu decidi que facilitaria mais a minha vida se reduzisse as minhas opções somente às amizades dos seriados. Sendo assim, vem comigo!

Neal e Peter, de White Collar

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Se eu não colocasse esses dois na lista não seria eu. Uma amizade improvável entre um agente do FBI e um (ex) criminoso. Neal começou como consultor do FBI com o objetivo de diminuir sua pena e encontrar a namorada desaparecida, mas acabou se mostrando um grande amigo para Peter e sua esposa. É um dos brotps mais lindos que já vi, de verdade. É incrível a forma como um “desconfia confiando” do outro e se mete em encrenca para salvar o companheiro. God bless, Neal Caffrey!

Amy, Rory e Eleven, de Doctor Who

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Eleventh não é meu doctor preferido, mas Amy e Rory são, sem dúvida alguma, meus companions favoritos, exatamente pela relação que se desenvolve entre os três (ou quatro, não esqueçamos River Song que também é parte dessa família). Amy tem um quedinha pelo Doctor só para não perder o costume, mas não resta dúvidas de que Rory é o amor da vida dela. E os três se dão tão bem! Sério, gente, é até difícil pra mim colocar em palavras o quanto eu amo a era desses três porque eles são maravilhosos juntos! Já pensou que maravilha viajar pelo tempo e espaço ao lado de seu namorado/marido e seu melhor amigo, os dois homens da sua vida? Amelia Pond, the lucky girl!

Doug, Mark e Carol, de ER

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Eu queria e poderia facilmente ter colocado todo o cast original de ER aqui, mas optei por manter um foco. Mark Greene e Doug Ross são como eu (ou você) com nossos melhores amigos. Que brigam, provocam um ao outro, acobertam, defendem, dizem umas boas verdades e estão presentes nos melhores e piores momentos da sua vida (pelo menos Mark está e o Doug não obrigada George Clooney! ) A Carol é aquele bônus maravilhoso: a namorada do melhor amigo que é tão incrível que se torna sua amiga também. E é lindo quando (alerta de spoiler!!) o Doug está ausente e o Mark dá todo apoio durante a gravidez da Carol, inclusive fica com ela durante o parto! Eu realmente não sei lidar com esses três. Como diria Denise Aquino “your (b)rotp could never”.

John e Sherlock, de Sherlock

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Gente, esses dois! Algumas pessoas vão chegar aqui e insistir que eles são um otp e não um brotp, mas eu digo que estou certíssima e não discutirei. Ok? Ok. Direto ao ponto, voltemos a esse post (ou ao episódio The Sign of Three) e teremos provas e demonstrações que a amizade desses dois é sensacional. Eu sei que prometi me ater somente às séries, mas se a gente for lá para os livros de Sir Conan Doyle vai ver que o brotp vive e reina por lá também. É um clássico, uma coisinha linda e gostosa de se admirar.

Chandler, Mônica, Ross, Rachel, Phoebe e Joey, de F.R.I.E.N.D.S

friends

Vocês não acharam mesmo que eu ia chegar ao final de um post sobre amizade sem citar os amigos de (literalmente, Amigos) Friends, né? O melhor sexteto de todos, composto por personalidades tão diferentes, mas cheio de amor. Não tem como negar que eles são um grupo unido e incrível, não depois de um único episódio, imagina depois de 10 temporadas acompanhando a vida de cada um deles, individualmente e como grupo.

  • Menção Honrosa:
    Mike e Harvey, de Suits
    Mike e Harvey foi o brotp que chegou para acalentar meu coração depois da perda de Neal e Peter. Harvey é todo bruto e grosso e insensível e aparentemente só existem duas pessoas que conseguem fazer o homem abrir o coração: uma delas é Mike. Dois lindos! E que saudade do brotp semanalmente.
    John Carter e Peter Benton, de ER
    Eu falei que tava difícil não colocar todo mundo de ER nesse post. Seguindo a linha do brotp acima, Benton e Carter é aquela coisa do aprendiz tentando conseguir a admiração e o respeito do mestre sem saber que já conquistou isso faz tempo. O brotp se mostra firme e forte nos momentos de dificuldade.

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