Categoria "Séries"

Eu amo Sherlock Holmes e vou protegê-lo

Em 06.01.2017   Arquivado em Séries, Sherlock

Sherlock Holmes foi um importante personagem na minha iniciação no mundo dos livros. Inspirada pelos contos de mistério da Coleção Vaga-Lume, eu decidi ler O Cão dos Baskerville. E isso já faz tanto tempo que eu preciso reler o livro, pois não lembro de quase nada. O fato é que, além de incentivar meu vício em livros, eu acabei buscando o personagem de Conan Doyle fora da literatura. Assisti aos filmes com o Downey Jr, até que cheguei na série que hoje é meu xodó: Sherlock, da BBC.

E nem preciso dizer o quanto essa série significa pra mim, o quanto ela liderou completamente o meu intercâmbio (você pode ver sobre a Sherlock Exhibition, sobre o Museu do Sherlock e sobre minha experiência numa setlock), o quanto ela me conectou com pessoas incríveis, sendo uma delas uma das melhores amigas que eu poderia ter.

Aproveitando o ensejo, já que estamos falando na série Sherlock, fomos abençoados com uma temporada novinha no último domingo, depois de um hiatus de praticamente 3 anos. É para glorificar de pé, igreja! E mais do isso, fomos abençoados também com um dos melhores character development da história da televisão, de verdade.

A ideia que tentaram nos vender, na grande maioria das vezes, é a de um Sherlock Holmes prepotente e muitas vezes arrogante, sempre querendo impressionar a todos com sua inteligência; uma pessoa fria, insensível e antissocial, até mesmo assexuado e incapaz de amar. Mas a verdade é que, se olharmos direitinho, se nos desafiarmos a entrar um pouquinho no mundo de Holmes, vamos perceber que por trás disso tudo há um ser humano com sentimentos, como todo mundo. E percebemos que ele é muito mais do que um sociopata altamente funcional.

Eu já falei que The Sign of Three é talvez o meu episódio preferido da série até aqui, exatamente por mostrar esse lado mais humano do Sherlock. É aos poucos, ao longo do seriado, que vamos acompanhando o crescimento do personagem, a sua humanização. Na importância que ele dá às pessoas com quem convive e na preocupação em protegê-los acima de qualquer coisa, estejam eles vestidos em um colete-bomba, ou na mira de um atirador profissional ou perseguidos por causa de um passado obscuro. Não importa quanto tempo seu melhor amigo deixe de falar com ele, ou que alguém do seu ciclo de amizades tenha lhe dado um tiro, Holmes está sempre ali, tentando agir a um passo a frente de todos, sem medir esforços – mesmo que seja preciso forjar a sua morte por anos -.

O primeiro episódio da nova temporada nos presenteia com um Sherlock cada vez mais humano e fiel aos amigos. Um Sherlock que cuida de bebês e passeia com cachorros, que troca palavras de carinho com sua senhoria e que chama o amigo pelo nome apenas para vê-lo feliz. Um Sherlock que perde o foco e se deixa cegar pelo que inicialmente parece ser pretensão, mas na verdade é a urgência de salvar o casamento, a família e a sanidade do seu melhor amigo. Um Sherlock que desaba e vai parar na terapia.

E eu tentei segurar ao máximo os spoilers até aqui, mas me sinto no dever de tocar nesse ponto da terapia. A série da BBC não só nos leva para o 221B da Baker Street do século XXI como também leva um dos personagens mais icônicos da literatura, famoso por nunca precisar de ajuda, por sempre saber de tudo, para um set terapêutico. Vocês conseguem perceber a dimensão disso? A importância disso? O quanto isso significa positivamente (!!) no gráfico do character development do personagem?

Nosso William Scott Sherlock Holmes (que aparentemente também é um nome de menina!) é um ser humano como eu e você. Alguém que sente e, mesmo em raras ocasiões – mesmo que por um pouquíssimo intervalo de tempo -, se deixa levar pelo coração em vez da razão. E isso é bonito demais! E em momento algum descaracteriza o personagem ou diminui a credibilidade da série, muito pelo contrário.

John, Molly, Greg e Mrs. Hudson batalharam demais para que Sherlock chegasse até aqui. Mark Gatiss, Steven Moffaat e eu também. E por mais doloroso que seja, me atrevo a dizer que não só precisávamos de um Sherlock sofrendo, como também queríamos muito ver isso acontecer. E ainda bem que aconteceu. Porque a vida é assim mesmo, cheia de reviravoltas, e uma hora achamos que somos o John do nosso círculo de amigos e na outra estamos com raiva dele e pensando que talvez sejamos o Sherlock. Eu não acredito que amo Sherlock Holmes e vou protegê-lo. Mas estou feliz que precise.

 

Coincidentemente, esse post foi publicado no dia do aniversário do personagem. O Sherlock dos livros comemora 163 anos no dia 6 de janeiro, enquanto o da série sopra a sua 40º velinha. Parabéns, Mr. Holmes. E obrigada por tudo.

Where you lead, I will follow, anywhere

Em 25.11.2016   Arquivado em Pessoal, Séries

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Foi recentemente que eu descobri ser uma garota Gilmore, apenas há alguns meses. E desde então, desde a última reunião na casa de Emily e Richard, eu espero ansiosamente pelo reencontro com a minha família. Finalmente o dia chegou. Obrigada, Netflix, por promover esse de volta para a minha terra.

Crises de ansiedade, expectativas gigantescas criadas, vídeos e imagens promocionais tomando conta de todos os meus feeds. Era de se esperar o óbvio,  que eu acordasse cedinho para tentar encaixar os episódios na minha rotina corrida e conseguir assistir tudinho ainda dia 25. Pois bem, aqui estou eu, vitoriosa.

Desde já vou abrir o jogo e ser sincera, não foi perfeito, ficaram muitas pontas soltas. Mas se serve de consolo, não acho que teria como ser. Porque ninguém gosta de despedidas, nunca é o que a gente quer. E não tinha como finalizar todos os arcos e matar a saudade gigantesca com apenas quatro episódios, nem mesmo se eles tivessem 3 horas de duração. Ainda assim, foi lindo e aqueceu meu coração (mesmo no inverno).

Devo alertar também que esse revival não está para brincadeiras, bastou dar play no primeiro episódio para, logo nos primeiros segundos, começar a chorar. E depois sorrir. E em seguida chorar de novo. Porque esse é o meu jeitinho (e aparentemente o dos Paladinos também). Ver todo mundo reunido para ouvir o Taylor em Stars Hollow, ou tomando um café no Luke’s; todo mundo do mesmo jeitinho, preservando o ritmo dos diálogos, o humor, e as milhares de referências, é um presente para os fãs. Se eu, que vi a série pela primeira vez esse ano, me senti grata e em casa, imagina quem é fã de longa data e espera por esse revival há quase dez anos! É como abrir aquela caixinha de memórias que a gente guarda no fundo do armário. É se emocionar com tudo de novo.

Entrar na casa dos Gilmore talvez seja a parte mais dolorosa, porque a gente sabe que Emily e Richard sempre foram a essência dos jantares de sexta. E dói olhar para o carrinho de bebidas na sala de estar. Viver o luto é inevitável.

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E como não poderia deixar de ser, Gilmore Girls é uma série sobre família. O relacionamento de Emily e Lorelai se desenvolve e evolui de uma forma incrível nesses quatro episódios, o que, de uma maneira bem pessoal, me atingiu mais uma vez, só que agora de um jeito maravilhoso. As cenas da Lorelai com o Luke nos dão vontade de viver e como foi gostoso ver o Kirk de novo! Rory, aos 32 anos, ainda busca um rumo na vida, e não foi tão difícil assim se identificar com ela, mesmo que o desenvolvimento da personagem tenha deixado a desejar (mas quem aqui está surpresa com Rory sendo Rory? Não eu). O importante é que para onde um vai, todos os outros vão também. Assim como eu, where they lead, I will follow, anywhere.

Antes mesmo de qualquer informação sobre o revival eu já teorizava sobre as quatro palavras finais, e afirmo que elas de fato passaram pela minha cabeça. O que me surpreendeu um pouco foi, na verdade, o contexto. E foi exatamente isso que me deixou com pensamento conflitantes sobre o final. Eu gostei? Não gostei? Me decepcionou? Foi clichê? Não sei. Só sei que consigo enxergar o por quê dessas palavras finais e fico feliz com a perspectiva do que pode estar por vir. E seria incrível acompanhar, porque longe de mim estar satisfeita com quatro episódios, mas também gosto da ideia de carregar esses personagens e essa história na memória e na imaginação, pra recordar e reinventar sempre que tiver vontade.

Algumas coisas não saíram como eu desejava e muita gente não mereceu o final que teve, mas a vida real é assim também. O importante, pra mim, foi poder matar a saudade, e poder dar aos criadores da série a chance de finalizarem o seu trabalho do jeitinho que acharam correto. E eu amei cada minuto dessa nostalgia que me foi proporcionada. Obrigada a todos os envolvidos por me dar a certeza de que sim, Outono sempre foi a minha estação preferida, mas há beleza em cada uma delas.

 

Eu mesma, uma Gilmore Girl

Em 08.09.2016   Arquivado em Pessoal, Séries

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Confesso que quando comecei a assistir Gilmore Girls não esperava muita coisa além de uma série levinha para passar o tempo. Aparentemente a trama é meio boba, mas quem vê de longe nem imagina a sua profundidade e o que as garotas Gilmore conseguem fazer com você.

A verdade é que Gilmore Girls é uma série sobre família. Sobre aquilo que se considera família. Sobre a família que é sangue do seu sangue e também sobre a família que a gente acaba escolhendo para si. E, de alguma forma incrível, faz você refletir sobre sua família, aquela que é sua e que tá lá no seu sobrenome e sobre aquela que você gostaria que fosse, ou que deseja, um dia, construir. Bem, pelo menos comigo foi assim.

Muitas foram as vezes em que me identifiquei com Rory Gilmore, embora do meio para o fim eu tenha percebido que sempre fui mais como a Lorelai. Ou talvez me doa admitir que nem tenho tanto da Lorelai assim, de modo que ela está mais próxima  da pessoa que eu gostaria de ser um dia. Mais precisamente da mãe que eu gostaria de ser.

Eu estava numa discussão calorosa nessa madrugada – e já aconteceu outras vezes também – sobre como Lorelai Gilmore é, talvez, a personagem mais bem construída da série. Corajosa, batalhadora, sempre bem humorada e querida por todos. Mas com uma bagagem emocional muito grande, uma necessidade de nunca estar só, principalmente com a filha (que também é sua melhor amiga) crescendo tão rápido e prestes a sair de casa e trilhar seus próprios passos. Lorelai engravidou aos 16 anos e saiu de casa por vontade própria para criar sua filha sozinha numa cidade nova, em que ela pudesse começar do zero, amadurecer e buscar pelos seus sonhos. Ela conservou uma amizade linda com o ex – e pai de sua filha -, mesmo com todos os altos e baixos e conquistou o carinho e admiração de uma cidade inteira. No entanto não consegue se reaproximar dos seus pais, por acreditar ser uma pessoa totalmente diferente deles, que não se encaixa ou não concorda com seus costumes e a criação que recebeu, em meio a tanto luxo e controle.

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A série vem então mostrar não só para nós, mas também para a Lorelai, que nunca é tarde para retomar e fortalecer laços. Que algumas coisas que começam como um grande sacrifício podem se tornar um prazer. A maneira como os vínculos entre a família Gilmore são restabelecidos nos faz acreditar na verdadeira ideia de família. E é impossível não identificar a nossa própria entre uma cena e outra, ou em alguma fala da Emily.

Alguns homens passam pela vida de Lorelai e Rory, se encaixando bem ou não na relação das duas. Mas é o casamento duradouro e que sobrevive a crises de Richard e Emily que, no fundo, é responsável pela ideia de amor e estabilidade das Gilmore mais novas. E, sejamos sinceros, pela nossa também.

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Sete temporadas depois – ou talvez já bem antes disso – eu me sinto completamente uma garota Gilmore. Meio Rory, meio Lorelai, meio Emily. E não só porque me identifico com uma ou outra, mas porque as três, de alguma forma, mesmo em suas piores fases, me inspiraram. Como mulheres e também como mãe e como filha. Eu escolhi amar cada uma delas.

Quando eu crescer – e aqui eu pego emprestadas as palavras da Lane – eu quero ser a Lorelai de alguém.

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“Minha mãe nunca me deu qualquer ideia de que eu não poderia fazer ou ser o que eu quisesse. Ao me guiar nesses incríveis 18 anos, eu não sei se ela chegou a perceber que a pessoa que eu mais queria ser era ela. Obrigado Mãe, você é meu exemplo para tudo.”

Gilmore Gilrs tem sete temporadas, com 22 episódios de aproximadamente 40 minutos, e está disponível na Netflix. Em novembro haverá um revival, com o elenco e roteirista originais, para matar as saudades e descobrir o real final de cada personagem. 

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