Categoria "Psicologia"

Mente sã, corpo são

Em 10.10.2016   Arquivado em Livros, Psicologia

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Dez de Outubro é o Dia Mundial da Saúde Mental. Depois do #SetembroAmarelo, ainda ganhamos um dia inteirinho dedicado a saúde mental. Mas deveria ser uma vida inteira, e não um único dia. Precisamos falar sobre o suicídio, sobre a depressão, sobre o TOC, os transtornos de personalidade. Porque tudo isso faz parte do nosso dia-a-dia e tem gente aí do seu ladinho que pode provar isso. Aliás, nem precisa olhar para o lado, basta olhar para dentro. Você está cuidando da sua saúde mental?

O tema ainda é tabu, considerado por alguns como besteira. Outros dizem que cuidar da saúde mental é luxo. E talvez nem passe pela cabeça de vocês o tanto de absurdo, preconceito e piada que eu escuto diariamente sobre saúde mental e sobre a profissão que escolhi por amor. Não é fácil, mas aos pouquinhos a gente vai derrubando esse muro.

Ontem mesmo eu estava lendo Uma História de Amor e TOC e é realmente angustiante acompanhar o dia-a-dia de uma pessoa que sofre disso. Todas as compulsões e obsessões, as dificuldades que envolvem não apenas enfrentar o transtorno, mas também escondê-lo dos outros, numa tentativa de viver uma vida normal e fugir dos deboches e preconceitos. Foi uma leitura que me acrescentou muito, mas também foi um pouco pesada, confesso, mesmo se tratando de um YA. Para aliviar, eu peguei Amy & Matthew, na esperança de que fosse só mais um romance leve. E adivinhem, um dos personagens também tem TOC e o outro vive numa cadeira de rodas e fala através de um computador.

Não sei se é coincidência eu ter lido tantos livros que abordam temáticas psicológicas nesse ano ou se realmente são os escritores e editoras estão investindo em livros que seguem essa linha. Prefiro acreditar que é a segunda opção. Ver por esse lado me deixa feliz, porque penso que estamos dando pequenos passos em direção ao conhecimento, ao fim do tabu e dos preconceitos; em direção a construção de uma sociedade que leva mais a sério a saúde mental, que percebe e se deixa tocar por histórias mesmo que fictícias, contadas nos livros. Já é um importante passo para abrir nossos olhos, despertar a sensibilidade adormecida.

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Comecei o ano lendo Suicidas e vendo, pelas palavras de um jovem autor brasileiro, que a mente da gente funciona de uma maneira bem difícil de compreender, que ninguém está livre de pensamentos impulsivos e destrutivos. E então eu me emocionei com a história de Violet e Theodore em Por Lugares Incríveis e, mesmo depois de tantos meses, ainda não consigo expressar em palavras o quanto esse livro me mudou. Acompanhei a aventura de Mim, em Mosquitolândia e a luta com seus remédios controlados. Reli Como Eu Era Antes de Você e, mais uma vez, vi a vida pelos olhos do Will. Entendi um pouco mais sobre o transtorno de ansiedade social em À Procura de Audrey e vivi de perto, junto com ela, as dificuldades em socializar, interagir. Síndrome Psíquica Grave ainda me aguarda aqui na estante e confesso que não faço ideia do que vou encontrar, mas tenho a impressão de que também terminará em aprendizagem e mais uma dose de compreensão e sensibilidade.

O dia está quase no fim quando escrevo esse post, mas não deixem o assunto morrer por aqui. A proposta que quero lhes fazer é outra totalmente diferente e inclui olhar mais para o próximo e também para si, e valorizar sua saúde mental. Não deixem que a rotina corrida da escola, faculdade ou trabalho suguem todas as suas forças e ânimo. De vez em quando faz bem parar para ler um livro, ir ao cinema, sair com os amigos e com a família. De vez em quando faz bem cuidar de si, e não só das feridas visíveis no corpo, mas também daquelas da mente, da alma.

Precisamos falar sobre o Adam (e o autismo)

Em 04.04.2016   Arquivado em Cinema, Psicologia

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Adam é o nome do filme, mas também é o nome do personagem, a representação de muitas pessoas que sofrem da síndrome de Asperger, ou do autismo.

Logo na primeira vez em que assisti, há uns dois anos, o filme já entrou para minha lista de queridinhos. Não tão recentemente assim ele chegou ao catálogo da Netflix e eu fiquei morrendo de vontade de rever, mas fui protelando. Até que esses dias, depois de uma palestra incrível sobre autismo que assisti na faculdade, eu decidi dar play. E então eu me lembrei o porquê de Adam – o filme e o personagem – ter me cativado tanto.

É tudo tão leve, tranquilo e aparentemente simples. Em certos momentos é engraçado, em outros é romântico e em alguns é um pouco angustiante.Consegue ser calmo e caótico ao mesmo tempo. É real. É sensível. É bonito. É delicado.

Adam é um jovem simpático, extremamente inteligente e com vontade de fazer amigos, mas tem certa dificuldade em se relacionar com as pessoas, em entender o que elas realmente querem dizer ou estão sentindo. Tudo isso porque Adam tem Asperger, hoje considerado um transtorno no espectro do autismo. Ele acaba de perder o pai e sua vida começa a complicar, porque ele percebe que não é nada fácil ter que se virar sozinho sem suas habilidades sociais. Até que um dia Adam esbarra com sua vizinha Beth, ela acaba se encantando pelo jeito dele e um relacionamento começa a se desenvolver entre os dois.

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O filme é bem sutil ao tratar do Asperger, mas nem por isso deixa de ser fiel ao transtorno. Mostra os desafios que o indivíduo precisa enfrentar todos os dias, a frustração por querer socializar, se misturar, e não conseguir. Discute as dificuldades extras que há em um relacionamento assim.

E, apesar de eu parecer suspeita para falar de Hugh Dancy (porque tô sempre elogiando o moço), eu juro a vocês que ele está realmente incrível nesse filme. Não é um papel fácil, mas Hugh mostra que sabe dar conta do trabalho (caso o contrário o seu Will, de Hannibal, não teria feito tanto sucesso). Ele está maravilhoso! E me deixa ainda com mais vontade de colocá-lo num potinho e cuidar e admirar para sempre.

É perfeitamente possível enxergar a diferença entre a vida de um Asperger e de um neuro típico, mas, se você olhar bem, o filme vai além disso. Ao mostrar o autismo na idade adulta e a importância do afeto, o longa consegue nos provar que todo mundo é capaz de viver uma vida normal, na medida do possível.

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Eu sou completamente apaixonada pela forma com que a história é contada, numa espécie de inocência, como se estivéssemos vendo pelos olhos de Adam. É um dos filmes mais lindos que já vi na vida, que me toca profundamente em todas as vezes em que assisto.

Imagem de Amostra do You Tube

 

Ficha Técnica
Título Original: Adam | Ano: 2009
Direção: Max Mayer
Duração: 99 minutos