Categoria "Pessoal"

Sobre sonhos e pessoas que inspiram

Em 26.03.2017   Arquivado em Pessoal, Teatro

É comum a gente reclamar que a vida às vezes nos afasta dos nossos sonhos, mas e quando ela nos aproxima? 

Semana passada eu fui a São Paulo com uma amiga unicamente para assistir à musicais e saímos completamente encantadas com a dimensão cultural que a cidade oferece. Viajar com alguém que compartilha da mesma paixão pela Arte, assistir à espetáculos de tirar o fôlego, conversar com os atores, mergulhar no mar de oportunidades que São Paulo oferece, tudo isso fez dos 4 dias que passei na cidade mais uma dessas experiências incríveis e que transformam. 

Vou contar mais uma história – e talvez eu me torne repetitiva para quem já acompanha esse blog -, mas, desde que eu me entendo por gente, desde que eu tinha uns oito anos, mais ou menos, eu dizia que queria fazer artes cênicas em São Paulo. Ninguém nunca levou a sério, achavam que era só papo de criança. Eu mesma achava que era só papo de criança. O tempo passou e eu não mudei de ideia, mas também não a amadureci. Mudar do Piauí para São Paulo parecia completamente fora de cogitação. Então foquei nas carreiras ditas tradicionais, mas nunca deixei de participar do teatro ou de cantar nos eventos da escola. 

No entanto, essa viagem me abriu os olhos. Ver tudo acontecer em cima de um palco, a movimentação, o jogo de luzes, tudo acontecendo ao mesmo tempo, e ao vivo, de forma impecável, tudo me fazia sorrir encantada, com aquele sentimento gostoso no coração. Eu procuro palavras para descrever e não consigo. 

Eu vi RENT na primeira fileira, tão pertinho do palco que eu quase podia segurar na mão de Mimi e Roger na cena final. Os Miseráveis, no entanto, vi do balcão, e lá de cima tudo parecia como mágica, uma visão completa do palco, a montagem dos cenários durante as cenas. Mais de uma vez eu fiquei boquiaberta e sorri em meio ao choro imaginando o quão incrível era tudo aquilo. 

Mas falar com os atores após os espetáculos talvez tenha sido o momento que vou levar sempre com mais carinho. Um tio me disse uma vez que não entendia toda a euforia diante de pessoas famosas, porque na verdade elas são apenas pessoas normais, como eu e você. É aí que está a graça. É estar numa plateia e olhar alguém com tanta admiração, é ter alguém como inspiração, e depois poder falar com ela e descobrir que ela é gente como a gente, que um dia carregou o mesmo sonho que carrego e só sossegou quando o realizou. Receber atenção de alguém que você admira faz com que a gente se sinta importante e eu vou para sempre ser grata por cada abraço que recebi, cada sorriso e, principalmente por cada história compartilhada e, com elas, cada conselho e confiança que me foi passado.  

De todos para quem cheguei e disse “meu maior sonho sempre foi participar de um musical” recebi o maior incentivo, ao contrário de gente próxima a mim que sorri e acha legal montar um com meus primos nas férias de final de ano, como se ainda fosse uma brincadeira de criança. São pessoas que nem me conhecem e já parecem acreditar no meu potencial simplesmente por acreditarem no sonho. Gente que nunca me viu atuar ou cantar, mas que tiraram 5 minutos do seu tempo para perguntar se eu já tinha feito algo, se eu estudava ou simplesmente para dizer “não desiste que um dia a gente vai dividir o mesmo palco!” Eu nunca vou saber agradecer o suficiente. 

Valeu a pena viajar de tão longe para ver espetáculos tão lindos e extremamente bem feitos, com pessoas que além de talentosas são muito queridas e simpáticas (e futuramente eu vou falar de cada musical, mas hoje eu precisava agradecer). Os teatros de São Paulo ainda vão me ver bastante, mesmo que – por enquanto – seja só na plateia.  

Virando Cineasta #1: O sonho de ser atriz

Em 02.03.2017   Arquivado em Cinema, Pessoal

Muitos de vocês não sabem mas desde criança que eu queria trabalhar com as artes, principalmente as cênicas. Participei de todas as peças da escola desde que me entendo por gente. Já fui princesa, fada, bruxa, formiga… Participei de coral e dança, e todo e qualquer tipo de atividade cultural que, graças a Deus, minha escola sempre ofereceu. Um dia eu cheguei para o meu pai e pedi pra ele me levar ao Rio de Janeiro e ir comigo no Projac porque eu queria fazer um teste para ser atriz. Sim, esse dia realmente aconteceu. Eu devia ter uns 12 anos.

O grupo do whats app da minha família se chama O Teatro é Agora, porque, quando eu era pequena, eu juntava meus primos e ensaiava pequenas peças com eles. E então a gente saía pela casa dos meus avós gritando “o teatro é agora”, e chamando todos para nos assistir. Uma vez eu adaptei o texto literário de Polyana para uma peça teatral. Eu selecionei falas, recortei cenas, procurei músicas que na minha cabeça tinham ao ver com a história (e naquela época elas se resumiam a Floribella e Chiquititas), criei coreografias e dividi papéis e falas. Gostaram tanto que a gente fez uma sessão na minha casa e outra na casa dos meus avós na festa de final de ano.

Outro fato vergonhoso que vocês precisam saber: eu cantava no chuveiro e ensaiava audições e entrevistas em inglês para programas como o The Voice. E um dos maiores sonhos da minha vida, até hoje, é participar de um musical.

Depois de grandinha, já um dia desses, próximo dos 18 anos eu decidi que queria estudar cinema. Porque mesmo amando estar no palco, o que sempre me fascinou, tanto no teatro quanto no cinema, foram os bastidores. A pré-produção, a correria na véspera, os rostos que não vemos no palco, os nomes que sobem nos créditos. Sempre fui fascinada pelas pessoas que estavam por trás do resultado que vemos diante dos nossos olhos.

Desisti da ideia de fazer um teste para a Globo, afinal uma passagem para o Rio de Janeiro custa caro. Continuei cantando no chuveiro me imaginando em um programa de talentos. Paquerei tanto as grades dos cursos de cinema do resto do país que ano passado andei bem perto de trancar a Psicologia e me jogar no sonho.

Como um sinal do Universo, e essa coisa de Destino que eu acredito com todo o meu coração, minha universidade decidiu oferecer um curso de extensão de cinema. Duração de três meses com um cineasta local, conhecido por fazer filmes de comédia que retratam o cotidiano do piauiense. Não é nem de longe o meu tipo de filme, mas aceitei com empolgação e expectativa altíssimas a chance que a vida estava me dando. Me inscrevi. Foi a melhor decisão que tomei no meu ano.

O Projeto Uespi em Tela contém um plano de curso bem resumido, mas amplo, no sentido de explorar, mesmo que por alto, vários aspectos do cinema, indo de roteiro à fotografia, captação de som e figurino. A primeira etapa é de aulas teóricas, com apostilas e aulas expositivas sobre conceitos básicos, exemplos e dicas. A segunda etapa envolve a prática e nela tivemos aula de atuação – com direito a exercícios de postura, fala e improvisação -, maquiagem e figurino, manuseio do equipamento e até a criação e gravação de um pequeno curta, que vocês podem assistir aqui:

Imagem de Amostra do You Tube

O curso foi um sucesso tão grande, que se estendeu por mais tempo do que o planejado e está entrando agora no seu quinto mês. O objetivo final era a produção de um curta, em sala de aula mesmo, e que agora virou um média-metragem que envolve até viagem para o litoral para a gravação de algumas cenas. Eu não poderia estar mais realizada. E quem quiser pode acompanhar tudinho por aqui, porque esse foi apenas uma introdução, e o primeiro de uma série de posts sobre o meu projeto de virar o próximo Damien Chazelle. Qualquer dúvida ou sugestão quanto à disposição dos posts é mais que bem vinda, ta?

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Oi, sumida (ou um breve resumo da vida e da maratona do Oscar)

Em 23.02.2017   Arquivado em Cinema, Pessoal

Olá você, ainda tem alguém por aqui? Perdão pelo vacilo. Eu poderia culpar a faculdade que sugou todas as minhas energias nesse último ano, mas a verdade é que eu andei meio preguiçosa mesmo. Mas então, eu finalmente estou de férias. Sendo assim, Feliz Ano Novo a todos, que 2017 comece.

Quem acompanha esse blog há uns bons anos sabe que nessa época eu sempre costumo fazer minha maratona do Oscar. Bem, minha maratona do Oscar está morta. A award season coincidiu com meu final de período na faculdade e foi um pouco difícil dar conta de todos os indicados. Ainda assim corri contra o tempo nas últimas semanas e consegui assistir alguns. Gostaria de agradecer aos Cinemas da minha cidade pela ajuda, pois sem eles teria sido impossível riscar da lista quase todos os filmes indicados à categoria principal. Desde já quero deixar claro que minha torcida é para La La Land por motivos bem imparciais mesmo, pois sou a maior fangirl de musicais, Damien Chazelle e filmes que salvam vidas que vocês respeitam. Mas também amei demais Arrival e acho que é de uma sacada genial (e por favor não entremos no tópico Amy Adams, a esquecida em churrasco, pois não responderei por toda a minha revolta). Lion me fez chorar horrores na sala do cinema e querer colocar young Saroo no colo pra proteger e amar para todo o sempre. E isso me leva a duas observações: 1) precisamos urgentemente de uma categoria infantil no Oscar (ou podemos criar o troféu Jacob Tremblay de atuação e entregar) e 2) Dev Patel que homão da porra, por favor entreguem logo a estatueta do rapaz. Sobre Manchester by The Sea: NÃO. PARADO. CHATO. * insira o meme do Sherlock atirando na parede gritando boring * Na verdade achei o roteiro bem interessante, uma história muito boa que acabou sendo mal aproveitada em um filme que simplesmente não consegue prender a atenção do telespectador por muito tenpo. Sobre Casey Affleck: NÃO. NOPE. NA-NA-NI-NA-NÃO. CREDO. Tudo bem que minha cisma com os Affleck pode ter falado mais alto, mas não, tá, gente? O prêmio pode ficar com o Andrew porque além de ser um bolinho deu um show em Hacksaw Ride, outro filme excelente e extremamente bem feito. Hidden Figures é um daqueles filmes que deixa a gente cheia de orgulho, com vontade de acreditar no próprio potencial e mudar a realidade a nossa volta. Resumindo: é bem lindão, de verdade.

A gente pode falar mais sobre o Oscar se vocês quiserem, porque agora eu tô ainda mais metida a entendida (lê-se chata) graças ao curso de Cinema que tô fazendo, então me chama por aí que a gente bate um papo e eu juro que tento ser o mais imparcial possível mas, aff, city of stars are you shining just for me?

E por falar em curso de Cinema, esse é o próximo tópico, porque eu tô devendo isso desde quando as aulas começaram em outubro. Adianto que estou amando cada minutinho, principalmente agora que estamos no processo de produção de um média-metragem e * spoiler * eu sou uma das co-roteiristas!! Ainda não sei se vou contar tudo de uma vez ou vou dividir em etapas, só sei que eu tô animada demais aaaaaaaaaaaaaaaa. 

Por hoje é isso, obrigada por ainda visitarem esse lugar jogado às moscas. Eu prometo fazer uma faxina geral e deixar tudo lindo pra receber vocês, ta?

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