Categoria "Intercâmbio"

[Intercâmbio] A Escola

Em 15.03.2015   Arquivado em Intercâmbio

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Quando eu estava organizando meu intercâmbio eu procurei em cada canto dessa internet dicas e sugestões. É o tipo de coisa que precisa ser pensada e planejada com muita antecedência e bastante cuidado. Recorrer a uma empresa de turismo, pelo menos para quem está indo pela primeira vez, é uma excelente ideia, mas não podemos deixar o trabalho todo para o agente de viagens. É preciso fazer suas próprias pesquisas e avaliar todas as propostas que surgirem.

A escolha da escola é algo muito importante, principalmente para quem vai passar pouco tempo como eu. Duas semanas é um intervalo muito curto para estudar inglês, cada minuto tem que ser bem aproveitado para absorver o máximo de conhecimento que puder.

fotos retiradas do site oficial da escola

fotos retiradas do site oficial da escola

Durante minha breve passagem pela Inglaterra eu estudei na Malvern House, uma escola relativamente pequena, “moderninha”, mas extremamente organizada e bem estruturada. Haviam muitos brasileiros, minha sala mesmo era composta quase que completamente por pessoas do Brasil, com apenas uma alemã, um alemão e um árabe. Acho que isso se deve ao valor ser mais em conta do que outras escolas mais “tradicionais” e antigas na cidade. Como vocês devem imaginar, a tentação de falar em português era enorme e algumas vezes, quando a professora não estava na sala, era difícil controlar a língua.

Mas achei o método de ensino bastante eficiente. Eu assistia aula de inglês geral de 8:45 até meio-dia, com um intervalo de 15 minutos e depois tinha aula de conversação até 1 hora. Não achei cansativo, na verdade, achei bastante interativo. O livro, dependendo do tempo que você vai ficar, pode ser comprado ou alugado. No segundo caso, eles devolvem seu dinheiro no último dia de aula se o livro retornar à escola bonitinho e bem cuidado. Recebi o certificado direitinho, dentro do prazo  e sem nenhum erro.

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Os funcionários, pelo menos os com quem pude ter um certo contato, foram sempre muito simpáticos e prestativos, além de pacientes. A escola é mega organizada, as turmas não são grandes e o aluno tem acesso à lanchonete, internet, computador e as vários livros e filmes disponíveis na biblioteca. As atividades propostas na sala de aula não são nada chatas, há sempre muito diálogo, muita dinâmica e interação no geral. Os alunos podem acessar todas as atividades e conteúdos trabalhados em sala pelo site, o que é muito útil.

A pontualidade britânica existe mesmo, não é mito. As 8:45 em ponto a professora estava na sala pronta para começar a aula (e terminava sempre no horário certinho também). Eles dão uma tolerância de 15 minutos, caso o aluno chegue atrasado só poderá entrar após o intervalo. Então nada de dormir demais! No primeiro dia eu saí de casa bem cedo e calculei o tempo certinho até à escola. Só me atrasei uma única vez por causa da neve que impossibilitou os trens de chegarem à estação na hora.

A Malvern House tem uma localização excelente, bem no centro de Londres e fica há dois quarteirões da King’s Cross Station (sim, a do Harry Potter!) Nas proximidades tem mc donalds, starbucks, casa de câmbio e algumas lanchonetes e mercadinhos. A escola oferece também três tipos de hospedagem: residência estudantil, casa de família e hostel. Geralmente o serviço de hospedagem é contrato junto à escola para facilitar o processo de troca caso haja algum problema ou imprevisto, como foi o meu caso.

E para quem não quer ficar só em Londres, a escola tem um calendário de atividades que incluem viagens guiadas e não guiadas para cidades próximas com um valor razoável, dentro dos padrões. Também vendem ingressos para atrações famosas com desconto e, se tratando de libras, todo desconto vale a pena.

Eu indico a Malvern House tanto para quem for para Londres quanto para quem for para Dublin ou Cyprus. Só conheço a filial de Londres, mas acredito que o padrão nas outras cidades se mantenha o mesmo, com muito compromisso e hospitalidade. Para maiores informações acessem o site.

 

Essa série de postagens têm, antes de tudo, função de informar e ajudar àqueles que pretendem embarcar numa aventura semelhante. Sendo assim, sintam-se a vontade para sugerir temas e/ou tirar dúvidas.

[Intercâmbio] Conhecendo a Host Family

Em 19.02.2015   Arquivado em Intercâmbio, Londres

casa

Sempre que pensei no meu intercâmbio me imaginei em uma casa de família, convivendo com pessoas locais mais de pertinho, mas quando a oportunidade finalmente chegou eu optei por ficar em residência estudantil, não porque meus planos mudaram, mas porque era mais barato. Eu fechei o pacote mais ou menos em agosto, mas no final de novembro recebi um email da escola pedindo desculpas por não haver vaga em residência estudantil para a época da minha viagem. Me ofereceram então a oportunidade de ficar em casa de família sem pagar nada por isso, claro que amei a  ideia.

Só fui saber aonde iria morar nessas duas semanas em Londres um dia antes de embarcar. Recebi um email com meu endereço, algumas fotos da casa e informações sobre a família. Pai, mãe e uma filha da minha idade. No email dizia que eles eram de descendência turca e isso me deixou ainda mais animada, porque haveria, talvez, a oportunidade de conhecer duas culturas diferentes em uma única viagem. O pai, Bulent, é contador e a mãe, Sevdal, psicóloga. Quando ela me perguntou o que eu estudava aqui no Brasil o que se seguiu foram infinitos corações pela sala. Julie, a filha, estudava pela manhã e trabalhava a tarde, então convivemos bem menos do que eu gostaria.

Assim que recebi o email corri para o shopping a procura de alguns presentes para levar. Meu pai estava mais empolgado do que eu e acabou comprando dois pares de havaianas, um masculino e um feminino e duas caixas de sabonete da Boticário, ambas marcas exclusivamente brasileiras e que fazem muito sucesso lá fora. Como não sabia a pontuação de ninguém da família, tomamos por base a minha e a do meu pai na hora de comprar os chinelos, acho que pelo menos uma serviu em alguém.

A casa era linda, bem estilo vitoriana, com o portão preto de ferro baixinho seguido de uma pequena escada até a porta de madeira bem do jeito que eu via nos filmes (e em Sherlock). Tinha dois pavimentos, além de uma espécie de subsolo onde ficava meu quarto.

Na verdade, estou sendo injusta a chamar meu espaço de quarto. Era mais como um mini apartamento. Além do quarto em que eu dormia havia outro bem semelhante ao lado, um banheiro, um toilet (sim, são cômodos diferentes) e uma cozinha.

Eles não cozinhavam nenhuma refeição para mim, no entanto, me deram total acesso a cozinha do meu “andar”. A geladeira já me foi entregue com alguns itens básicos para meu uso pessoal como água, pão, leite e suco. Além de cereal, café e chá. Tinha também um microondas, um pequeno fogão elétrico daqueles de mesa e uma torradeira para eu usar quando bem entendesse. Eles não entravam no meu quarto em hipótese alguma e sempre pediam minha permissão para limpá-lo ou lavar minhas roupas. Eu podia ter toda a privacidade do mundo, mas era sempre bem-vinda na sala para assistir televisão.

Li em algum lugar na internet que geralmente nas casas de família eles são cheios de regras, principalmente em relação ao banho. Por a água ser muito cara em países da Europa, dificilmente eles autorizam mais de um banho quente por dia. Em algumas casas as famílias também exigem que você ajude com alguns afazeres domésticos e lhe dão certas funções. No meu caso foi bem tranquilo quanto a isso. Eu não tinha limites de banho por dia (o que agradeci mentalmente) e não me falaram nada sobre afazeres domésticos, eu mesma me dava ao trabalho de arrumar a cama e lavar as louças por livre vontade. Só haviam duas regras: avisar caso fosse chegar em casa e deixar os sapatos no corredor de entrada. A maioria das casas lá tem uma espécie de carpete no chão, acredito que para manter o ambiente mais aquecido, então não é permitido andar calçado sobre ele.

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Minha host family no dia em que fomos tomar café da manhã juntos

Eu tive muita sorte com a minha família. Eles me receberam muito bem, com beijos e abraços – o que foi uma boa surpresa, pois temos o costume de achar que esse tipo de recepção é coisa de brasileiro – e demonstraram ser sempre muito simpáticos e preocupados. Sempre perguntavam como tinha sido meu dia, se eu tinha tido algum problema, se estava com fome ou se queria me juntar a eles para ver um filme ou o noticiário. Nos finais de semana me convidaram para tomar café tipicamente inglês com eles e quando fui, me deixaram comer a vontade e pagaram pelo meu consumo.

Como contei no primeiro post, minhas malas foram extraviadas e a família foi extremamente prestativa. A mãe me emprestou um casaco e um chinelo e a filha foi comigo até o shopping para que eu pudesse comprar o que mais estivesse precisando. Minha host sister me deu também um oyster card, o cartão do transporte de Londres, e foi comigo colocar crédito nele, além de me mostrar como funcionava os trens e o metrô. Julie me auxilou na compra de um chip local e escolha do melhor plano para mim e foi comigo até a escola onde eu iria estudar para que no dia seguinte eu não me perdesse ou me atrasasse.

Em todos os imprevistos que tive, sempre que precisei de ajuda eles estavam lá para me auxiliar. Bastava eu mandar uma mensagem para Julie ou contar aos meus host pais, eles não me deixaram na mão em nenhum momento. Por eu já ser maior de idade entendi que eles não tinhas certas obrigações comigo, mas mesmo assim assumiram algumas responsabilidades que “não estavam no contrato”.

No fim, mesmo com uma convivência tão breve, desenvolvi um enorme carinho pelos três.

[Intercâmbio] Passando pela imigração

Em 09.02.2015   Arquivado em Intercâmbio, Londres

passaporte

Estou de volta ao calorzão do meu Piauí e louca para sair contando tudo para vocês, mas vamos com calma, pequenos gafanhotos!

O post de hoje é bem de utilidade pública mesmo, o bicho de sete cabeças que é a maldita bendita imigração. Esse era, talvez, o meu maior medo. Desde quando comecei a pesquisar sobre intercâmbio que eu via em todos os lugares o quanto a parte da imigração era temida e, por vezes, complicada. Sendo assim, eu me preparei o máximo que pude. Tirei (mais de uma) cópia de todos os meus documentos, separei as cartas da escola sobre o curso e sobre a acomodação, plastifiquei o cartãozinho do seguro e guardei numa pastinha que comprei especialmente para isso. Também coloquei os documentos e comprovantes de pagamento de exatamente tudo da viagem: o curso em si, o transfer de chegada, as passagens e o seguro.

Um casal chegou a falar para os meus pais que tiveram a filha barrada na imigração britânica por ela não ter levado dinheiro o suficiente para provar que podia se manter no país durante sua estadia. Vou explicar: estudante ou turista por menos de seis meses, teoricamente, não precisa de visto, ele é retirado no aeroporto, assim que você chega. Dessa forma, quem fica por pouco tempo (inferior aos seis meses) não pode ter nenhum vínculo empregatício no país, portanto deve ter como se manter lá durante sua estadia.

Daí nós entramos em desespero, porque não sabíamos quanto a imigração considerava suficiente para os meus quinze dias. Entrei em contato com alguns amigos que já estiveram no exterior, outros também em Londres e fui colhendo informações. Levei então 420 libras no meu master card travel (quem quiser maiores informações sobre ele pode deixar nos comentários que eu respondo) e apenas 100 em espécie. Peguei todos os comprovantes de depósito no cartão e coloquei dentro da pasta também.

[Tendo por base os meus gastos básicos com alimentação e transporte nesses quinze dias, eu diria que é necessário, em média, 160 libras por semana.]

No fim, eu estava me sentindo bem preparada na teoria, só precisava manter a calma e desenferrujar meu inglês para falar com o agente da imigração. A pasta com tudo isso foi importante para me passar uma ideia de segurança. Ao desembarcar no  terminal 5 do Heathrow, eu segui o fluxo e cheguei até as cabines da imigração. Foi até bem tranquilo. A moça perguntou meu nome, minha idade, quantos dias eu ia ficar na Inglaterra e qual o motivo da viagem. Mostrei a carta da escola confirmando minha matrícula no curso e a carta da família com meu endereço em Londres. Depois ela perguntou o que eu pretendia fazer quando as duas semanas do curso chegassem ao fim e eu disse que voltaria para o Brasil. Estejam seguros ao responder isso, pois é só o que eles querem ouvir. Perguntou também quem tinha pago pela minha viagem e ao responder que foram meus pais eu deixei bem claro que eles também me manteriam lá, enviando dinheiro sempre que fosse necessário. Não foi preciso apresentar nenhum documento além do passaporte e as cartas da escola e da família.

Após passar pela imigração eu senti um peso enorme sendo retirado das minhas costas. Geralmente o processo é bem tranquilo e todos os que vi, antes e depois de mim, passaram sem problemas. Mas minha dica é: estejam sempre preparados, para tudo. Tenham sempre em mãos o maior número de documentos – originais e cópias – que vocês puderem, sempre bom estar prevenido. E mantenham a calma, é fundamental em todas as situações que vocês pensarem em passar no exterior.

Os posts sobre o intercâmbio têm, antes de tudo, função de informar e ajudar àqueles que pretendem embarcar numa aventura semelhante. Sendo assim, sintam-se a vontade para sugerir temas e tirar dúvidas. O próximo post será sobre minha casa e host family. 

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