Categoria "Intercâmbio"

Por que o intercâmbio mudou minha vida

Em 09.06.2015   Arquivado em destaque, Intercâmbio, Londres, Pessoal, Viagens

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Ontem completou exatamente cinco meses que eu voltei de um mini intercâmbio de quinze dias em Londres e desde então, eu me sinto uma pessoa diferente. Pode parecer besteira e clichê, mas é verdade. É uma experiência que fica marcada para sempre na sua vida, e não só pelas fotos, compras ou qualquer outra coisa que você decida guardar como recordação, mas porque lhe transforma.

Há muito por trás de uma viagem ao exterior, há sensações que não são fáceis de descrever. Mas hoje, eu vou tentar colocar em palavras tudo que vivi, aprendi e senti durante e após o intercâmbio.

1. Sonhos podem sim virar realidade
Eu não lembro bem o porque, mas lá pelos meus oito anos eu decidi que queria ir para Londres. E a medida que fui pesquisando sobre a cidade e o país, a paixão aumentou e se tornou um dos meus maiores sonhos visitar a terra da rainha. Eu tentei ir aos 15, mas acabei fazendo uma festa. Tentei ir aos 18, mas acabou vindo como um presente pela aprovação no vestibular, aos 19, e,  apesar da curta estadia, valeu muito a pena esperar. Aprendi que quando você quer muito uma coisa, quando você acredita e cria metas, você consegue o que quer. Sonhos devem se tornar objetivos de vida, e não apenas um desejo distante.

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2. Quando enfrentamos um medo ficamos mais fortes e confiantes
Eu nunca tinha viajado para lugar nenhum sem meus pais, muito menos sozinha, sem ninguém conhecido por perto. Nem nos passeios da escola. Meus pais, como professores, sempre estavam lá. E então eu decidi que iria para outro país sozinha. E bateu o medo, muito medo. Várias vezes eu chorei escondida no meu quarto com receio de que meus pais descobrissem e desistissem de me mandar para Londres, mesmo estando tudo pago. Na sala de embarque, quando me vi sozinha esperando para entrar num avião eu mais uma vez desabei a chorar.

E quando eu cheguei em Londres, me veio outro medo: o de falar inglês. Eu estava bem enferrujada, e apesar de ter um vocabulário até bom, nunca tive confiança em mim mesma, principalmente se tratando da pronuncia. Me vi sozinha no aeroporto sem minhas malas e então não dava para fugir, eu tinha que abrir a boca e me virar. Foi assim o resto dos dias, o medo de falar errado tendo que ser vencido pela necessidade. Até que uma hora deixei de me importar.

3. Ganhei certa independência
Eu estava sozinha e pela primeira vez senti realmente o peso da maioridade. Eu era responsável pelos meus atos. Eu não tinha ninguém para me guiar, precisava aprender a ler um mapa, a pedir informações, a conferir o troco direitinho. Não tinha mãe para bater na porta do quarto e me mandar levantar para não perder a hora. Não tinha um pai esperando por mim no carro para me levar para aula. Aqui onde moro não tem metrô e meus pais nunca, em hipótese alguma, me deixaram andar de ônibus. Eu não fazia ideia de como o sistema público (mesmo que um eficiente fora do Brasil) funcionava. Eu tive que dar a cara a tapa, me perder várias vezes e aprender a me virar sozinha. E gente, foi incrível. É uma sensação maravilhosa.

4. Ficar parado no mesmo lugar, com as mesma pessoas e mesmos costumes não é mais uma opção
Eu quero conhecer o mundo. Sempre quis, mas depois do intercâmbio, isso deixou de ser um desejo distante e passou a ser uma vontade urgente. Não existe mais o medo de sair sozinha em rumo ao desconhecido. E se eu já gostava de viajar antes, imaginem agora!

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5. Ampliei minha visão e diminuí os preconceitos
Não há livros, filmes ou internet que se compare a uma vivência próxima e diária com outros povos, outras culturas. Experimentamos novos cheiros, texturas e sabores. Vivemos novos hábitos e nos adaptamos a eles. Quebramos padrões e destruímos (ou reforçamos) esteriótipos pelo simples prazer de olhar com nossos próprios olhos e pensar com nossa própria cabeça e assim, tiramos nossas próprias conclusões.

6. Conheci pessoas incríveis, e algumas delas são para sempre
Minha turma mudava toda semana, e sempre que chegava alguém novo era uma festa. Tinha gente do Brasil todo e de algumas partes do mundo também. Confesso que não lembro o nome de todo mundo, mas consigo visualizar a feição de cada um perfeitamente. Alguns eu tenho nas redes sociais, outros, eu não faço ideia de onde estejam, e queria poder continuar mantendo certo contato. E tem a Camila, que foi a linda que eu conheci no avião e fez quase todos os passeios comigo e é com quem falo de vez em quando no whats app, seja para relembrar a viagem, ou simplesmente para bater bapo, perguntando como vai a vida.

Não posso esquecer também da família que me acolheu e cuidou de mim com toda atenção e carinho do mundo. De vez em quando mando mensagem para minha host sister (inclusive desejei feliz dia das mães para minha host mom e recebi muito amor em troca) e estamos sempre acompanhando e curtindo o dia-a-dia uma da outra pelo instagram. E é uma delícia poder sair de uma experiência dessa com boas lembranças e conhecendo gente incrível.

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7. Entendi o real sentido de distância e saudade e valorizei ainda mais a família e os amigos
Minha primeira semana em Londres se resumiu a choro em praticamente todas as noites. De medo, de saudade, de carência. A distância machuca sim, e muito, mas também permite que cresçamos, amadureçamos e, principalmente, valorizemos quem está longe sentindo nossa falta da mesma forma (ou até mais do) que a gente. Sem falar, que não tem lá muita vantagem ver tanta coisa linda e não poder compartilhar ao vivo tudo aquilo com quem você gosta. E quem mora ou já morou fora, sabe a falta que nossos pais (e até os irmãos) fazem.

caixa de londresHoje eu vejo que foi muito melhor viajar aos 19 anos, porque com certeza aprendi muito mais do que se tivesse ido aos 15 com um grupo de adolescentes brasileiros da minha idade e um guia. Tive mais liberdade, ao mesmo tempo em que passei por maiores sufocos e não me arrependo de absolutamente nada. Aliás, me arrependo sim, de não ter visitado mais lugares e comprado bem mais coisas; de não ter aproveitado cada segundo do meu tempo.

Um intercâmbio, por mais rápido que seja, não é outra coisa senão um enorme investimento. Mais que uma recordação, é também uma lição de vida. E enquanto escrevia esse post, eu tive que parar duas vezes para chorar de saudade e também de gratidão, porque sei o quanto foi difícil, financeiramente falando, para os meus pais me mandarem e me manterem em Londres durante essas duas semanas.

Então, se você tiver condição e oportunidade de ir, para qualquer lugar que seja, quanto tempo que seja, vá. Porque você com certeza vai voltar uma pessoa melhor e bem mais experiente.

Sherlock Holmes Exhibition: the man who never lived and will never die

Em 10.05.2015   Arquivado em destaque, Intercâmbio, Londres, Sherlock

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Quatro meses depois e enfim estamos chegando ao fim dos posts sobre Londres. A verdade é que eu estava guardando o melhor para o final (pelo o menos foi uma das melhores partes da viagem pra mim). Como já falei aqui, uma boa parte do meu intercâmbio se resumiu a Sherlock Holmes, porque convenhamos, não dá para passar por Londres sem nem ao menos ouvir falar dele. Muito menos ser fã do personagem e não visitar as maiores referências a ele que existem na cidade.

Quando os primeiros rumores sobre a Sherlock Holmes Exhibition saíram eu tentei conseguir o maior número de informações possíveis. Qual não foi minha alegria quando constatei que estaria em Londres na época. Dei alguns pulos e gritinhos pela casa nem um pouco discretos, confesso. Devo avisar que esse post vai ser beeeem longo, então sentem-se confortavelmente, tomem uma dose de paciência e boa sorte.

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Londres é repleta de museus, e a grande maioria deles não cobra pela visita, a não ser que tenha alguma exposição acontecendo. E eis que estava acontecendo no Museu de Londres uma exposição sobre o  maior detetive de todos os tempos bem nos meses da minha vagem. Deixei minha companheira de turismo andando sozinha pelo museu e corri para o setor da exposição, shame on me.

Se eu pudesse escolher um lugar para morar em Londres com certeza seria naquela exposição. Eu fiquei encantada logo na entrada, com os olhos brilhando e provavelmente uma grande cara de boba, tanto que a mulher precisou me chamar duas vezes para eu finalmente dar atenção a ela. Ela recolheu meu ingresso (que eu não lembro quanto custou devido à empolgação, me desculpem) e me perguntou se eu conhecia as histórias de Sherlock. Depois ela me testou e pediu para eu descobrir como abrir a porta que era uma barreira de madeira simulando uma enorme estante de livros.

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Quando finalmente entrei eu dei mais pulinhos eufóricos (e espero sinceramente que não tenha câmeras no local porque a vergonha não será pouca) e fiquei olhando para todos os lados várias vezes tentando gravar tudo direitinho na memória. A exposição era de uma estrutura incrível e deixaria qualquer fã de Sherlock completamente louco. Todos os Sherlocks que vocês conseguirem imaginar estavam lá, de todas as adaptações para cinema e tv. Logo na entrada tinham várias televisões ligadas passando cenas de vários atores no papel do personagem, bem como numa janelinha.

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Nas paredes haviam painéis de madeira com algumas frases, imagens e informações, além de quadros inspirados nas histórias e personagens de Sherlock. Um passeio geral pelo contexto histórico de Londres nas histórias de Conan Doyle. Tem uma parte em especial que eu achei bastante interessante, uma parede inteira de cartões postais destinados ao Sherlock, devidamente enviados para o endereço 221B da Baker Street. Como expliquei nesse post aqui, durante algum tempo as pessoas realmente acreditaram na existência do detetive e seu fiel companheiro.

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E então finalmente cheguei à casa dele. Uma réplica da porta do apartamento bem ali diante de mim, dando entrada a um espaço cheio de objetos utilizados em cenários das adaptações para cinema e tv. Tinha cadeira, armas, rascunhos de investigações, charutos e os figurinos. Gente, os figurinos! A coisa mais linda da vida. Se não tivesse um segurança atrás de mim eu juro que teria quebrado o vidro e saído correndo com o sobretudo que o Benedict usa. Tinha mais televisões passando e repassando cenas ao longo do tempo. Teve mozão rdj também e os Sherlocks mais clássicos, ainda em preto e branco.

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Eu não queria que acabasse, ao final de tudo eu simplesmente voltei e olhei tudo de novo. Depois visitei o máximo que consegui do Museu de Londres e olha, sou suspeita para falar de museus e de Londres, mas juro que é incrível! Um dos melhores passeios que fiz. Na lojinha tinha uma parte toda com produtos de Sherlock e eu queria ter dinheiro para comprar tudo mas saí de lá apenas com o The Casebook e uma sacolinha linda de tecido escrito “i am sherlocked”.

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E quando eu achei que meu dia maravilhoso tinha acabado, na saída do museu, num frio congelante, uma moça me parou dizendo que tinha me visto na exposição e perguntando se podia fazer uma entrevista comigo para o jornal da universidade dela! Eu expliquei que era brasileira e que meu inglês era horrível, mas ela só disse: “Que ótimo! Não tem problema! Eu vou arrumando o que tiver que arrumar”. Então eu topei, achei que seria uma boa forma de praticar o inglês.

Ela começou perguntando como eu tinha conhecido a personagem, quais livros eu já tinha lido ou se via algum filme ou série. Daí eu resumi minha história com Sherlock e contos investigativos e falei da minha paixão pela produção da BBC e pelo Benedict Cumberbatch. Foi aí que a mulher deu um ataque de fangirl quase maior que o meu. “AAAAAH, me too! Everyone loves Benedict Cumberbatch!” E eu fiquei tipo “everyone? Com lincença colega que eu sou ciumenta que história é essa de everyone!?!!111!” Depois ela perguntou o que eu tinha achado da exposição e de qual parte tinha gostado mais. Mas ela não me deixou responder a essa pergunta, já foi logo dizendo: “já sei, da roupa do Benedict!”, toda tiete, gente! Foi muito engraçado. Senti que poderia matá-la ou virar melhor amiga dela bem ali naquele momento. Concordei sorrindo e ela encerrou pedindo para eu dizer o porquê de Sherlock continuar fazendo sucesso até hoje. Me empolguei tanto na resposta e consequentemente me enrolei bastante no inglês que do meio pro fim já estava chamando Sherlock de she. Acho que foi mais cômico do que trágico e adorei a experiência.

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O plano inicial era falar da exposição e terminar com a visita rápida às filmagens do especial de natal de Sherlock, a série da BBC que é o xodó da minha existência, mas me prolonguei tanto na exposição que vou deixar para outro post. Vocês me cobrem, viu?

Turistando em Londres: Kensington Palace

Em 18.04.2015   Arquivado em Fotografia, Intercâmbio, Londres, Viagens

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Parte da minha paixão pela Inglaterra se dá por causa da arquitetura antiga e dos palácios, toda essa coisa de monarquia, príncipes e princesas. E na minha visita à capital eu não poderia deixar de conhecer pelo menos uma das residências reais.

Kensington é o menor dos palácios e tem sido usado pela Família Real desde o século 17. Hoje ainda se configura de morada para duques e duquesas, e era o lar doce lar de William, Kate e baby George antes de se mudarem para a casa de campo.

Eu fiquei completamente encantada com o local, principalmente com o “jardim”, um dos muitos parques abertos de Londres, o Kensington Park. Uma área extensa, com um lago cheio de animais lindos e uma ótima opção para fazer caminhada, passear com o cachorro ou levar as crianças para brincar.

Na madrugada do dia da minha visita ao Palácio havia nevado, então quando cheguei ao local, pouco mais de 1 hora da tarde, ainda havia neve depositada em alguns lugares do parque. E mesmo no inverno eu achei lindo, fiquei imaginando como deveria ser ainda mais incrível aquela paisagem na primavera, com tudo florido e colorido.

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O interior do palácio é dividido em várias partes. Na entrada somos recebidos por vários retratos e pinturas de membros da realeza e então começamos o passeio. Como vemos nos filmes e séries de época que retratam a vida dos nobres, rei e rainha costumavam não só dormir, mas viver em ambientes separados. E na parte mais antiga do prédio podemos comprovar isso. Conhecemos o lado da rainha, com várias salas e corredores enormes até chegar ao quarto e, do lado oposto, o departamento do rei. Quando diziam que naquela noite o rei visitaria os aposentos da rainha, ele realmente fazia um longo percurso até seu destino. Os aposentos não se conectam em canto nenhum e confesso que isso me incomodou um pouco durante a visita, pois tínhamos que visitar um lado e depois refazer todo o percurso para atravessar o prédio e conhecer o lado oposto.

A construção mais nova, já apresenta sinais de modernidade em pequenos detalhes como as portas, janelas e até mesmo as paredes. Atravessamos um corredor com várias portas brancas com plaquinhas que indicavam o aposento de cada morador da casa, além da cozinha. Obviamente, uma área fechada para os turistas.

Cada aposento do Palácio é ambientado de forma que o visitante consiga perceber como era a realidade da realeza antigamente. Em alguns salões, como o de jogos e o de pintura, há uma música ambiente tocando. Em outros, réplicas em cera das roupas da época, usada tanto pelos homens como pelas mulheres. Cada sala sempre com um informativo sobre o local.

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Há também uma área reservada para o vestuário específico das rainhas, uma espécie de museu da moda que expões os vestidos usados pela Rainha Elizabeth e Lady Di nos eventos mais importantes ao longo da história.

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Por fim, ainda tinha uma exposição temporária sobre Victória e Albert, meu casal preferido da realeza britânica. Fiquei muito feliz pela oportunidade de ver de pertinho objetos pessoais deles e dos filhos, porque sabia que o tempo não ia me permitir visitar o Albert and Victória Museum e nem mesmo o memorial em honra do Albert, localizado ali mesmo no Kensington Park.

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Informações sobre Kensington Palace:
Horários: diariamente, das 10h às 18h (entrada até as 17h) – fechado para o Natal em 24, 25 e 26 de dezembro.
Preços: Adulto: 16,50 libras / Criança (menor de 16 anos): gratuito
Endereço: Kensington, Londres W8, Reino Unido
Estações de metrô próximas: High Street Kensington (Circle e District Line) e Queensway, na Central Line (15 minutos)

P.S: eu fui pela Queensway e lá perto acabei encontrando um restaurante brasileiro chamado O Preto que foi o melhor almoço da minha viagem. E custou só 7 libras. Vale a pena.

 

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