Categoria "Cinema"

É o que faz o final feliz da história

Em 11.09.2016   Arquivado em Cinema, Pessoal, Teatro

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Todo mundo tem aqueles filmes que a gente sempre para tudo que está fazendo para assistir todas as vezes em que ele passa, certo? Encantada é um deles. E já me questionaram muitas e muitas vezes o porquê de eu gostar tanto de um filme tão bobinho. Bem, eu explico.

Encantada não é só um filme sobre príncipes e princesas, está mais para um conto de fadas do mundo real. E é justamente aí que está o segredo, nessas duas palavrinhas: mundo real. A gente cresceu com a Disney nos contando histórias de princesas em um reino mágico e distante, com bruxas, castelos, madrastas malvadas e um príncipe corajoso e apaixonado que chega em um cavalo branco. Encantada brinca com todos esses esteriótipos.

Para impedir o casamento do Príncipe Edward, com medo de perder o poder que exerce sob o reino, a madrasta malvada, manda Giselle para um mundo completamente estranho: o mundo real. Lá – ou aqui, como preferirem -, não existem castelos, animais que falam, príncipes em cavalos brancos. Há quem duvide até de que não há o tal beijo de amor verdadeiro. Giselle então se depara com pessoas que namoram e demoram anos para casar (que coisa sem cabimento!) e que saem para encontros!!! antes e durante esse tal namoro. Elas não frequentam bailes e nem cantam seu amor a todo momento.

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Encantada nos mostra que nem todas as madrastas são malvadas, que nem todos os casamentos são para sempre e que o príncipe encantado nem sempre é quem a gente imagina. Mas, ao contrário do que a Giselle e todos nós um dia também acreditamos, existe certa magia no mundo real. Existe certo romance em sair para encontros, em se apaixonar aos poucos. Percebemos – eu, você, e a Giselle -, que passar por algumas crises no relacionamento faz parte, que não há como ser feliz todos os dias, mas que, ainda assim, há como ser muito feliz na maioria deles. E, pasmem, o beijo de amor verdadeiro também funciona por aqui. E com a mesma força, com a mesma capacidade de superar obstáculos e quebrar o efeito de maçãs envenenadas e bruxas invejosas que querem roubar a nossa coroa.

O que quero dizer é que nem sempre vamos dormir por anos, abrir os olhos e encontrar o amor da nossa vida ali à nossa espera. Às vezes ele já está com a gente há bastante tempo e nós que não fomos capazes de notar antes. Em outras vezes, aquele que a gente acreditou ser de fato nosso príncipe encantado não passava de um sapo, mas descobrimos que não tem problema beijar outros sapos até encontrar o príncipe.

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E eu estou aqui falando através de muitas metáforas, mas Encantada nem precisou de tantas assim para nos convencer de que o mundo real pode ser tão mágico e tão incrível como o dos contos de fadas. Que existe uma versão de todas as coisas – boas e ruins, devo ressaltar – aqui no nosso mundo de tudo que há lá no reino de Andalasia.

E é por isso que eu gosto tanto desse “filme tão bobo” que é Encantada. Porque a Disney brincou com suas próprias histórias e, em um mesmo filme, conseguiu colocar a essência – que no fundo nem é tão diferente assim – de dois mundos, tanto que o longa apresenta partes em animação e em live-action.

Há quem prefira viver nos reinos encantados, mas também há quem acabe se rendendo ao mundo real e, no fundo, é isso que faz o final feliz da história.

Cinema | A fórmula de John Carney que nunca falha

Em 24.08.2016   Arquivado em Cinema, Música

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Begin Again é um dos queridinhos da minha vida, se tratando de filme, elenco, roteiro e, principalmente, trilha sonora. Meu filminho que eu indico pra qualquer estranho na rua, que assisto quinhentas vezes no ano e que estou sempre cantarolando as músicas. O responsável por tudo isso é John Carney, o mesmo que lá em 2006 produziu Once, outro filme delicinha com uma trilha sonora pra ninguém colocar defeito.

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Esse ano foi a vez de Sing Street ganhar meu coração. Ambientado na Irlanda dos anos 80, o filme mostra a história de Conor, um jovem que adora compor suas próprias músicas e se vê irremediavelmente apaixonado por Raphina, uma garota incomum que ele conhece na porta da nova escola. Para tentar impressioná-la, ele decide criar uma banda e convidá-la para ser sua modelo, a musa de seus clipes.

Imagem de Amostra do You Tube

O romance é leve e se  desenvolve de maneira bem natural, daquele jeito que só John Carney sabe fazer. Conor está passando por uma fase complicada em casa, com algumas dificuldades financeiras e os pais se separando, ele precisa mudar de escola, onde sofre na mão dos novos colegas e professores. Sem conhecer absolutamente ninguém, ele precisa fazer amigos urgentemente, ou então não conseguirá criar a banda para ganhar a sua garota.

Sing Street é um filme sobre descobertas e dificuldades adolescentes e nisso ele se diferencia um pouco dos dois primeiros filmes de Carney. Tem aquela vibe gostosa de The Breakfast Club, que nos transporta para mais pertinho dos personagens. Ao longo do filme vemos Conor criar laços com os meninos da banda e até mesmo fortalecer o já existente com seu irmão mais velho; o vemos numa busca constante pela definição de sua identidade, principalmente através das roupas, dos cortes de cabelo; o vemos cantar suas dúvidas e sentimentos em relação a menina por quem está apaixonado. A banda transforma Conor e isso é lindo de ver.

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Obviamente não dá para chegar até aqui, falando de um filme de John Carney, sem tocar no ponto crucial que a trilha sonora. Antes mesmo da metade do filme eu já estava baixando a soundtrack composta por Motorhead, Duran Duran, A-HA e The Cure, além de uma faixa especial gravada por Adam Levine (aparentemente a parceria em Begin Again deu muito certo, nenhuma novidade por aqui). Mas são as músicas autorais, assinadas pela Sing Street que conquistam e fazem toda a diferença.

É a fórmula (nem tão) secreta de John Carney: filme independente com um roteiro leve sobre amor e uma trilha sonora incrível. Em Sing Street, a magia dos anos 80 é um apenas um bônus que simplesmente não dá para ignorar. Quem curte a época com toda certeza irá amar não só o filme, mas também os clipes inusitados e divertidos dos meninos da banda.

sing-street-2016-film-rcm762x429uFicha Técnica:
Título: Sing Street | Ano: 2016
Roteiro e Direção: John Carney | Duração: 106 minutos

Filmes | Suicide Squad

Em 06.08.2016   Arquivado em Cinema

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Entrei no cinema com as expectativas menores possíveis. Vi muita gente reclamando do roteiro fraco, de cenas jogadas, mais ou menos o que eu vi em Batman versus Superman, então estava esperando algo bem mais ou menos. Saí da sala bem satisfeita, foi uma surpresa bastante agradável. Acho que essa é a receita: não criar expectativa. Eu criei muitas em Civil War e vejam como terminou.

Juro que dei uma de chata e fiquei do início ao fim tentando encontrar falhas no roteiro, não consegui. Achei tudo bem costuradinho e sem cenas jogadas de forma avulsa como foi em BvS. Encontrei o que eu mais sentia falta nos filmes da DC: um aprofundamento na história dos personagens. Eles são muitos em Suicide Squad, então óbvio que não tinha como contar a história de cada um de uma forma mais detalhada, mas a maneira como eles abordaram as fraquezas e a humanidade de cada um foi bem satisfatória. No fim eu estava torcendo para cada um dos anti herois.

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Arlequina é, de longe, a melhor personagem do filme, dona de tudo, uma verdadeira rainha, sim. Louquinha e fofa que me fez rir e me apegar a ela de uma forma incrível. Eu só queria colocar num potinho e amar. Pistoleiro é, talvez, o personagem mais bem construído da trama. Os dois desenvolvem uma amizade que, apesar de demonstrada de forma bem sutil, fez meu coração se aquecer. A história do Diablo também é bastante convincente, ao contrário da de Flag, o soldado do governo escolhido para liderar o grupo, que, apesar de não ser tão convincente assim acaba comovendo.

O que me incomodou um pouco (e provavelmente a grande maioria) foi a participação do Coringa. O personagem aparece pouco, e, ao meu ver, sua função ali é basicamente explicar a história da arlequina. No entanto, ele entra como um apelo romântico bem distorcido. O filme abre brechas para um romance entre os dois e todos sabem (até mesmo eu que nunca li nada da DC!) que não é bem assim. Joker não ama Harley Quinn, ele não ama a ninguém. Ela sim o ama. Mas o filme sugere que é algo recíproco, que os dois podem ser fofos e apaixonados. Apenas não. Close erradíssimo, hein, DC. A cena final, inclusive, poderia ter terminado no café ao som de Bohemian Rhapsody, não foi a gente que pediu pelo que veio depois.

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Já que é meio impossível não  acabar comparando, um ponto que a DC supera a Marvel é quando se trata dos vilões. E, apesar de os vilões de Esquadrão Suicida terem soado um pouco aleatórios, surgindo meio do nada, eles estão realmente a altura de seus oponentes, dá até gosto de ver as lutas.

As cenas de ação estão muito bem feitas, a fotografia idem e a trilha sonora. Meu. Deus. A. Trilha. Sonora. Tá maravilhosa! Se tem uma coisa que está de parabéns nesse filme é a trilha sonora (e a Margot Robbie, aquela linda).

Suicide Squad é bem dinâmico, não é cansativo e, ao meu ver, cumpre aquilo que promete. As participações especiais somam muito à trama, que se conecta direitinho com os acontecimentos dos outros filmes, tanto BvS quanto os que estão por vir.

Título Original: Suicide Squad
Ano: 2016
Direção: David Ayer
Duração: 123 minutos

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