Autorretrato: menina se encanta pelo livro do Destino

Em 12.11.2016   Arquivado em Livros, Pessoal

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Depois de passearem pelo Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Noah e Jude finalmente chegaram à minha casa, aqui no Piauí. Trouxeram muita poesia e muita arte pra minha vida, através das palavras de Jandy Nelson. E hoje eu sei que foi obra do Destino, eu precisava ler esse livro.

“Afinal, quem sabe? Quem sabe alguma coisa? Quem sabe quem está no controle? Ou o quê? Ou como? Quem sabe se o destino é apenas como você conta para si mesmo a história da sua vida? (…) Ninguém sabe. Assim combatemos os mistérios, cada um do seu jeito. E alguns de nós conseguimos flutuar em torno de um mistério e nos sentimos em casa.”

Eu Te Darei o Sol conta a história de dois irmãos gêmeos que costumavam ser inseparáveis, até começarem a competir não só pela atenção dos pais, mas também por uma vaga na melhor escola de Arte da Califórnia. Uma tragédia acaba transformando suas vidas e suas personalidades, engolidos pelo ciúme, insegurança e mal-entendidos.

“Ou talvez uma pessoa seja feita de várias pessoas. Talvez estejamos acumulando novas personalidades o tempo todo. – Carregando-as ao fazermos nossas escolhas, boas e más, enquanto erramos, organizamos, perdemos a cabeça, encontramos nossa cabeça, desabamos, nos olhamos no mundo, ao criarmos coisas e destruirmos coisas”.

Narrados pelos pontos de vista de Noah, no passado, e Jude, no presente, a história vai se misturando e se moldando em uma perspectiva de tempo não linear, bagunçando nossa cabeça e nos envolvendo completamente. Noah desenha retratos e autorretrados dentro e fora da sua mente em todas as situações da sua vida, porque ele é o impulso arrebatador. Jude escreve sua própria Bíblia, completando os mantras e lições da avó já falecida e sua única amiga. Ela escreve seu próprio Destino mesmo quando acha que está indo contra ele.

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Como diz na própria capa, “o amor é apenas a metade da história“, porque a outra metade nos fala sobre perdas, inseguranças, autoaceitação e perdão. É um livro sobre relações familiares, sejam elas entre irmãos ou entre pais e filhos ou entre os próprios pais. Eu Te Darei o Sol alimenta a minha crença de que as pessoas entram em nossa vida por um motivo, porque afinal, “talvez algumas pessoas simplesmente tenham sido feitas para estar na mesma história“.

A escrita de Jandy é tão encantadora que quando menos me dei conta já havia gastado metade  do bloquinho de post-its. São passagens poéticas e metáforas visuais que despertam o melhor da nossa imaginação e nos permite ler em cores e visualizar todos os desenhos de Noah e as esculturas de Jude. Mas, acima de tudo, nos permite sentir. Porque é um livro lotado de emoções intensas, que se misturam e se confundem ao longo dos capítulos.

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Vez ou outra, a trama cai em alguns clichês dos YA, mas longe de mim reclamar. Porque clichê nenhum seria capaz de diminuir a beleza ou a importância dessa história. Me atrevo a dizer até que alguns desses clichês a tornaram ainda mais irresistível.

A minha experiência com esse livro foi ainda mais incrível porque Eu Te Darei o Sol adora viajar e chegou até mim recheado de comentários divertidos e pessoais da Débora e da Tici. Poder interagir com as meninas e conversar com elas pelas páginas do livro foi algo maravilhoso e tornou a leitura ainda mais especial. Das minhas mãos ele segue para as da Nina, de volta ao Rio Grande do Sul, para pintar novos retratos e autorretratos, dando continuidade a Profecia, até todas nós encontrarmos o Ralph.

“Viro-me, lembrando novamente que fomos feitos juntos, célula a célula. Somos a companhia um do outro desde quando não tínhamos ainda olhos ou mãos. Antes mesmo de termos alma”.