La La Land: to the ones who dream

Em 14.01.2017   Arquivado em Cinema, Pessoal

Eu sempre acreditei no poder da Arte de retratar vidas. De mudá-las. De melhorá-las. La La Land é um pouco sobre a minha vida, sobre sonhos, paixões e pesamentos que eu e Mia Dolan compartilhamos desde crianças. Foram muitos meses de espera pelo filme que eu sentia com todo o meu coração que seria incrível. E foi. E é.

Dois dias depois de vê-lo na estréia – e há dois dias de vê-lo novamente -, eu ainda não sei bem como organizar as ideias e as palavras. Talvez eu deva começar por todos as indicações e prêmios que o filme vem conquistando desde o Festival de Veneza até a torcida pela presença em peso na lista do Oscar no final do mês, passando por  7 Golden Globes. Mas, muito mais do que inúmeras indicações e vitórias, La La Land conquistou atenção e reconhecimento para um gênero um tanto ignorado: o gênero musical, que é um dos meus preferidos, que eu sempre defendi com unhas e dentes e tanto me esforcei para que as pessoas ao meu redor dessem uma chance. Finalmente está acontecendo.

Quem vemos no palco recebendo os prêmios são rostos jovens, orgulhosos pelo trabalho que fizeram. Um roteiro de uma simplicidade  e sinceridade incríveis, com personagens carismáticos e verdadeiros. Tão verdadeiros que eu e Mia nos confundimos quase que o tempo todo.

Visualmente falando, La La Land é um dos filmes mais perfeitos que já vi. Cores vibrantes combinadas a lindos cenários e uma fotografia de tirar o fôlego. A vontade é de pular para dentro da tela e morar ali, para sempre. A presença de cenas mais teatrais só torna tudo ainda mais bonito. Somos transportados para Los Angeles, a cidade das estrelas realmente brilhando apenas para nós. As coreografias, embaladas pelo jazz puro, nos desafiam a permanecer sentados. Não é tarefa fácil. E nem sei por onde começar a descrever a cena do observatório, só mesmo vendo para entender.

As músicas são lindas e envolventes, e os duetos só colaboram para a química natural de Emma e Ryan. E por falar em Emma Stone, a moça está ainda mais linda, esbanjando talento com sua voz doce e seu jeitinho fofo e divertido. Confesso que esperei o filme inteiro por uma cena que fizesse Ryan Gosling merecedor do Globo de Ouro de melhor ator. Ela não veio. Mas isso não quer dizer que sua atuação está ruim, ela apenas se mantém do início ao fim, sem altos e baixos. Gosling, no entanto, compensa não só com a beleza, mas com o talento no piano.

E por falar em música, se vocês estavam na mesma sessão do cinema que eu e ouviram uma vozinha cantarolando todas as músicas, so sorry, era eu mesma. Passei quase 1 mês com a soundtrack no repeat me preparando para este momento.

Damien Chazelle mostrou mais uma vez que sabe o que está fazendo e não entra para perder. Como diretor ele fez um excelente trabalho, em todos os aspectos. Mas eu preciso, mais uma vez, falar sobre o roteiro. E registrar aqui o meu muito obrigado. Obrigada por preservar minha crença de que uma pessoa pode tocar outras com suas palavras, com suas criações. Obrigada por criar uma personagem que me representou em vários níveis. Obrigada por levar o gênero musical a grandes premiações, se utilizando de uma ideia inédita, sem precisar adaptar grandes clássicos. Obrigada pela obra de Arte que é La La Land. Como bem dito em seu discurso no último domingo, no Golden Globe, e no título de uma das músicas, esse é um filme para os fãs de musicais, para os tolos que sonham.

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Eu amo Sherlock Holmes e vou protegê-lo

Em 06.01.2017   Arquivado em Séries, Sherlock

Sherlock Holmes foi um importante personagem na minha iniciação no mundo dos livros. Inspirada pelos contos de mistério da Coleção Vaga-Lume, eu decidi ler O Cão dos Baskerville. E isso já faz tanto tempo que eu preciso reler o livro, pois não lembro de quase nada. O fato é que, além de incentivar meu vício em livros, eu acabei buscando o personagem de Conan Doyle fora da literatura. Assisti aos filmes com o Downey Jr, até que cheguei na série que hoje é meu xodó: Sherlock, da BBC.

E nem preciso dizer o quanto essa série significa pra mim, o quanto ela liderou completamente o meu intercâmbio (você pode ver sobre a Sherlock Exhibition, sobre o Museu do Sherlock e sobre minha experiência numa setlock), o quanto ela me conectou com pessoas incríveis, sendo uma delas uma das melhores amigas que eu poderia ter.

Aproveitando o ensejo, já que estamos falando na série Sherlock, fomos abençoados com uma temporada novinha no último domingo, depois de um hiatus de praticamente 3 anos. É para glorificar de pé, igreja! E mais do isso, fomos abençoados também com um dos melhores character development da história da televisão, de verdade.

A ideia que tentaram nos vender, na grande maioria das vezes, é a de um Sherlock Holmes prepotente e muitas vezes arrogante, sempre querendo impressionar a todos com sua inteligência; uma pessoa fria, insensível e antissocial, até mesmo assexuado e incapaz de amar. Mas a verdade é que, se olharmos direitinho, se nos desafiarmos a entrar um pouquinho no mundo de Holmes, vamos perceber que por trás disso tudo há um ser humano com sentimentos, como todo mundo. E percebemos que ele é muito mais do que um sociopata altamente funcional.

Eu já falei que The Sign of Three é talvez o meu episódio preferido da série até aqui, exatamente por mostrar esse lado mais humano do Sherlock. É aos poucos, ao longo do seriado, que vamos acompanhando o crescimento do personagem, a sua humanização. Na importância que ele dá às pessoas com quem convive e na preocupação em protegê-los acima de qualquer coisa, estejam eles vestidos em um colete-bomba, ou na mira de um atirador profissional ou perseguidos por causa de um passado obscuro. Não importa quanto tempo seu melhor amigo deixe de falar com ele, ou que alguém do seu ciclo de amizades tenha lhe dado um tiro, Holmes está sempre ali, tentando agir a um passo a frente de todos, sem medir esforços – mesmo que seja preciso forjar a sua morte por anos -.

O primeiro episódio da nova temporada nos presenteia com um Sherlock cada vez mais humano e fiel aos amigos. Um Sherlock que cuida de bebês e passeia com cachorros, que troca palavras de carinho com sua senhoria e que chama o amigo pelo nome apenas para vê-lo feliz. Um Sherlock que perde o foco e se deixa cegar pelo que inicialmente parece ser pretensão, mas na verdade é a urgência de salvar o casamento, a família e a sanidade do seu melhor amigo. Um Sherlock que desaba e vai parar na terapia.

E eu tentei segurar ao máximo os spoilers até aqui, mas me sinto no dever de tocar nesse ponto da terapia. A série da BBC não só nos leva para o 221B da Baker Street do século XXI como também leva um dos personagens mais icônicos da literatura, famoso por nunca precisar de ajuda, por sempre saber de tudo, para um set terapêutico. Vocês conseguem perceber a dimensão disso? A importância disso? O quanto isso significa positivamente (!!) no gráfico do character development do personagem?

Nosso William Scott Sherlock Holmes (que aparentemente também é um nome de menina!) é um ser humano como eu e você. Alguém que sente e, mesmo em raras ocasiões – mesmo que por um pouquíssimo intervalo de tempo -, se deixa levar pelo coração em vez da razão. E isso é bonito demais! E em momento algum descaracteriza o personagem ou diminui a credibilidade da série, muito pelo contrário.

John, Molly, Greg e Mrs. Hudson batalharam demais para que Sherlock chegasse até aqui. Mark Gatiss, Steven Moffaat e eu também. E por mais doloroso que seja, me atrevo a dizer que não só precisávamos de um Sherlock sofrendo, como também queríamos muito ver isso acontecer. E ainda bem que aconteceu. Porque a vida é assim mesmo, cheia de reviravoltas, e uma hora achamos que somos o John do nosso círculo de amigos e na outra estamos com raiva dele e pensando que talvez sejamos o Sherlock. Eu não acredito que amo Sherlock Holmes e vou protegê-lo. Mas estou feliz que precise.

 

Coincidentemente, esse post foi publicado no dia do aniversário do personagem. O Sherlock dos livros comemora 163 anos no dia 6 de janeiro, enquanto o da série sopra a sua 40º velinha. Parabéns, Mr. Holmes. E obrigada por tudo.

Sing: cantando o amor pelo Teatro

Em 03.01.2017   Arquivado em Cinema, Música, Teatro

Que eu sou a louca das animações talvez não seja mais novidade para ninguém. Que eu sou a louca dos musicais também não. Então era de se esperar que eu fosse ao cinema conferir a nova animação musical da Ilumination. Superou todas as minhas expectativas.

Eu estava esperando ver animais cantando suas próprias versões de músicas famosas em uma competição bem ao estilo dos reality musicais que já conhecemos, com bastante humor e só. Nem de longe imaginei uma fotografia tão bonita em um filme de animação ou toda a essência de paixão pela música e pelo Teatro por trás do roteiro.

Sing é um filme sobre o amor pela Música, pelo Teatro e, acima de tudo, sobre lutar pelo sonho de ver a Arte ganhar espaço e fazer acontecer. E como uma amante fervorosa da Arte, mais especificamente do Teatro e da Música, é óbvio que me vi em Buster Moon, um coala que batalhou muito para ter seu próprio Teatro e levar a arte e a música para todos. Ao ver o seu trabalho e seu sonho ruir, atolado em dívidas que ele não tem como pagar, decide apostar tudo em um concurso de canto, com o objetivo de atrair o público e salvar seu sonho.

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E em meio a versões incríveis, cenas bem engraçadas e personagens extremamente carismáticos e bastante peculiares, a trama se desenvolve de uma forma bem linear e dinâmica, nem um pouco cansativa, agradando tanto adultos quanto crianças. A reviravolta não é das mais surpreendentes, mas nem precisa ser, porque a emoção fala mais alto e comove a todos. A essência do filme então é explorada mais a fundo e somos levados a batalhar junto com os animais pelo sonho de cada um deles.

Cantar significa muito para cada um daqueles bichinhos. Seu Teatro, significa muito para Buster Moon, não só pela sua paixão pela Arte, mas também porque o faz lembrar do pai e do quanto ambos batalharam para erguer aquelas paredes. É realmente emocionante, principalmente para quem, assim como eu, acredita no poder da Arte e na magia do Teatro.

Os personagens são bem construídos, de modo que conseguimos perceber os motivos que levam cada um deles a participar do concurso. E por isso, acabamos por não nos decidir por qual deles torcer.

A dublagem está muito boa e não deixa a desejar em momento algum. Minha preocupação era que traduzissem também as músicas, mas isso não acontece, com exceção de uma que é autoral e na versão brasileira é interpretada pela Wanessa Camargo.

Sing é uma prova de que a Ilumination vem acertando em suas animações, sabendo dosar direitinho o humor  adulto e infantil, de forma natural, combinado a um roteiro criativo e envolvente, com uma excelente trilha sonora de brinde.

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